Um boto ferido mobilizou equipes de resgate e a atenção da população na Orla do Rio Tocantins, em Marabá, na manhã de segunda-feira (29). Após esforços para contê-lo e avaliá-lo, o mamífero aquático foi devolvido ao seu habitat natural. Contudo, a decisão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de monitorar o animal sem a implantação de um dispositivo de rastreamento gerou questionamentos sobre a eficácia da vigilância em um ambiente tão vasto e complexo como o rio.
A situação ressalta os desafios inerentes à conservação da fauna silvestre em grandes bacias hidrográficas, onde a observação e o acompanhamento de indivíduos podem ser particularmente difíceis sem o apoio de tecnologias específicas. A ausência de um plano detalhado para o monitoramento do boto levanta preocupações entre especialistas e a comunidade sobre a real capacidade de garantir a recuperação e o bem-estar do animal a longo prazo.
Resgate heróico nas águas do Tocantins
O incidente teve início por volta das 9h30, quando um boto foi avistado em dificuldades na Orla do Rio Tocantins. As tentativas iniciais de resgate com redes de pesca não obtiveram sucesso, exigindo uma abordagem mais direta. Foi então que o nadador Nayron Botelho, conhecido localmente como “Acquaman de Marabá”, interveio, demonstrando coragem e familiaridade com as águas do rio.
Nayron relatou a dificuldade de conter o animal devido à sua pele lisa, mas, em uma segunda investida, com o auxílio de três militares do Corpo de Bombeiros, conseguiu segurar o mamífero pela nadadeira, cabeça e cauda. O boto foi então cuidadosamente acomodado em uma lancha de resgate. O nadador, habituado a interagir com esses animais no rio, afirmou não ter sentido medo durante a operação.
Avaliação e retorno do boto à natureza
Após o resgate, o boto foi levado para a Seção Fluvial do 52º Batalhão de Infantaria de Selva. No local, as equipes buscaram um espaço adequado para mantê-lo, mas o tanque disponível foi considerado pequeno para o porte do animal. A equipe da Semma, após avaliar o quadro do boto, optou por sua imediata devolução ao rio.
O coordenador de fiscalização da Semma, Mateus Rocha, informou que o boto apresentava feridas pelo corpo, que foram atribuídas a redes de pesca e a possíveis brigas territoriais, consideradas ocorrências naturais para a espécie. Como não havia sangramento intenso ou perfurações graves que demandassem internação ou tratamento prolongado, o animal foi liberado em uma praia próxima, onde sua reação foi observada antes da soltura definitiva. Um drone da Semma registrou o momento em que o boto nadou livremente de volta ao rio.
Desafios e questionamentos sobre o monitoramento do boto
Apesar da garantia da Semma de que o boto seria monitorado para acompanhar sua recuperação, a ausência de um chip de rastreamento gerou dúvidas significativas. Questionado sobre a logística para reencontrar o animal no vasto Rio Tocantins sem tecnologia de geolocalização, Mateus Rocha explicou que o ponto de soltura foi marcado via GPS e que fiscais em uma embarcação realizariam rondas na região.
Rocha mencionou ainda que a estratégia contaria com o apoio futuro de um médico veterinário, um biólogo e da Fundação Zoobotânica, mas admitiu que o município de Marabá não possui um especialista técnico fixo para esse tipo de ocorrência. A complexidade de monitorar um animal aquático em um ambiente fluvial extenso sem ferramentas de rastreamento eletrônico é um desafio reconhecido na área de conservação da fauna, como destacado por diversas instituições ambientais. Para mais informações sobre conservação de espécies, consulte o ICMBio.
Ações preventivas e educação ambiental
Em complemento às ações de resgate, a Semma destacou seus trabalhos de educação ambiental junto à Colônia de Pescadores Z-30. A secretaria informou que redes com malhas menores que 5 mm, consideradas ilegais e perigosas para a fauna aquática, são rotineiramente apreendidas pelas equipes de fiscalização. Essas medidas visam prevenir novos acidentes envolvendo botos e quelônios na região, reforçando a importância da pesca sustentável e da conscientização para a proteção da biodiversidade local.
Fonte: correiodecarajas.com.br