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Jovens europeus: estudo revela disparidades na riqueza líquida e o papel do apoio familiar

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Reprodução Euronews

A realidade financeira para a juventude europeia apresenta um cenário de desafios significativos, onde rendas elevadas, custos de habitação crescentes e o aumento geral do custo de vida dificultam a acumulação de património. Para muitos indivíduos com menos de 35 anos, a poupança, o investimento e a aquisição da primeira casa tornam-se metas cada vez mais distantes. Contudo, um novo estudo lança luz sobre as marcantes disparidades na riqueza líquida entre os jovens do continente, revelando como fatores como salários, acesso à habitação e o suporte familiar desempenham um papel crucial na formação do património.

Este panorama complexo, detalhado pelo Inquérito à Situação Financeira e ao Consumo das Famílias (HFCS) do Banco Central Europeu (BCE), divulgado em meados de 2026, oferece uma visão aprofundada sobre a distribuição da riqueza entre a faixa etária de 16 a 34 anos. Os dados sublinham que, enquanto alguns jovens conseguem acumular bens substanciais, outros enfrentam dificuldades persistentes, com poucas oportunidades de emprego e elevados custos de vida que limitam o seu progresso financeiro.

Panorama da riqueza líquida na zona euro

A riqueza líquida mediana para o grupo etário de 16 a 34 anos na área do euro foi registada em 24.600 euros. Este valor representa uma fração modesta da riqueza líquida mediana global, que se situa em 140.100 euros, correspondendo a apenas 18%. A análise do BCE abrange 22 países europeus, e os resultados mostram uma vasta gama de valores, com a riqueza líquida mediana variando de 5.700 euros na Finlândia a impressionantes 257.500 euros em Malta.

O professor Fabian Pfeffer, da LMU de Munique e diretor fundador do Munich International Stone Center for Inequality Research, enfatiza a importância de interpretar estes dados com cautela. Segundo ele, as diferenças de riqueza entre jovens adultos são particularmente reveladoras, uma vez que este grupo etário, geralmente, não teve tempo suficiente para acumular ativos substanciais apenas a partir dos seus próprios rendimentos do trabalho. Assim, níveis elevados de riqueza entre agregados jovens podem refletir mais do que apenas disciplina individual de poupança.

Disparidades notáveis entre países europeus

A análise do BCE destaca contrastes acentuados na capacidade de acumulação de riqueza entre os jovens em diferentes nações europeias. Malta emerge como um caso excecional, com uma riqueza líquida mediana de 257.500 euros para a faixa etária de 16 a 34 anos. Além de Malta, apenas o Luxemburgo ultrapassa a marca dos 100 mil euros, com 135.000 euros. A Bélgica segue de perto, posicionando-se em terceiro lugar com cerca de 97.200 euros.

Um dos resultados mais surpreendentes é a Croácia, que apresenta uma riqueza líquida mediana de 82.000 euros para os jovens. Este valor é notavelmente elevado, especialmente quando comparado com a sua posição nos rankings de rendimentos anuais líquidos. Em 2025, o rendimento anual líquido de uma pessoa solteira sem filhos na Croácia era de 17.256 euros, de acordo com o Eurostat, um valor que representa a média nacional e não apenas a faixa etária mais jovem. Outros países como Eslováquia (74.600 euros), Estónia (62.200 euros), Chéquia (59.900 euros) e Lituânia (59.600 euros) também registam valores elevados, apesar de seus rendimentos anuais líquidos estarem abaixo da média da União Europeia.

As maiores economias da UE e seus jovens

Entre as quatro maiores economias da União Europeia, a Itália se destaca com a maior riqueza líquida mediana para jovens entre 16 e 34 anos, atingindo 53.500 euros. Este valor contrasta significativamente com o de outros grandes países, como a França, que registra 27.700 euros, e a Espanha, com 23.700 euros. A Alemanha, por sua vez, apresenta a menor riqueza líquida entre os jovens das maiores economias, com apenas 17.600 euros. Isso significa que os jovens italianos possuem aproximadamente três vezes mais riqueza do que seus pares alemães.

Na parte inferior da lista geral, a Grécia (9.900 euros) e a Finlândia (5.700 euros) registram os menores valores. A Áustria (13.400 euros) e a Letónia (16.900 euros) também se encontram abaixo da Alemanha, que ocupa a quinta posição mais baixa no conjunto de países analisados. Outros países notáveis incluem a Irlanda, com 23.900 euros, Portugal, com 36.200 euros, a Hungria, com 36.300 euros, e os Países Baixos, com 40.900 euros, demonstrando a diversidade de cenários financeiros para a juventude europeia.

Fatores determinantes na acumulação de património

O professor Fabian Pfeffer sublinha que a riqueza acumulada em idades jovens frequentemente reflete menos o que os jovens adultos já ganharam e mais as estruturas que os rodeiam. Estas incluem o acesso à habitação, ao crédito hipotecário, o apoio familiar, doações, heranças e o nível de endividamento. Ele argumenta que, nesta fase da vida, altos níveis de riqueza privada não são apenas uma história de mérito individual, mas também uma narrativa de família e de contexto institucional.

A aquisição precoce da casa própria é frequentemente apontada como um ponto de viragem, transformando poupanças modestas em património real. No entanto, o acesso ao mercado imobiliário exige mais do que apenas disciplina financeira. Implica ter acesso a crédito, possuir um rendimento estável, encontrar preços acessíveis e, muitas vezes, contar com o apoio dos pais, seja através de ajuda com a entrada inicial ou da transmissão direta de um imóvel. É neste ponto que a riqueza familiar se manifesta como um mecanismo poderoso, embora discreto, de diferenciação entre os jovens. Pfeffer conclui que, em idades jovens, níveis elevados de riqueza estão intrinsecamente ligados aos recursos dos pais. Embora os jovens adultos poupem a partir dos seus próprios rendimentos, o impacto do suporte familiar é inegável.

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