Produção de carne bovina deve cair e preço pode subir no Brasil

O preço da carne bovina pode subir no Brasil em 2026 com a virada do ciclo pecuário. Menor abate de animais, valorização do gado e demanda internacional maior pressionam a oferta no mercado.

O preço da carne bovina pode aumentar em 2026. (Imagem: Andrey Câmara/Unsplas

preço da carne bovina no Brasil pode registrar uma alta em 2026 após um período de abates elevados no ano passado. O país alcançou 12,4 milhões de toneladas produzidas em 2025, superando os Estados Unidos e assumindo a liderança mundial na produção de carne bovina. Especialistas apontam, no entanto, que a produção tende a diminuir neste ano.

A principal razão está na mudança do ciclo pecuário. A valorização do bezerro indica uma fase de recomposição do rebanho, o que normalmente leva produtores a reduzir o abate de fêmeas. Com menos animais enviados aos frigoríficos, a oferta de

Preço da carne bovina e redução do abate

preço da carne bovina costuma reagir quando o número de animais abatidos diminui. Após um período de abates intensos em 2025, o setor pode enfrentar um ajuste natural na disponibilidade de gado para o abate.

Esse movimento ocorre porque o ciclo da pecuária alterna fases de expansão e de retenção de rebanho. Quando o produtor decide manter mais animais na propriedade para reprodução, a oferta de carne no mercado diminui. Esse processo afeta diretamente a cadeia da carne bovina, incluindo frigoríficosatacadovarejo alimentar e o consumo doméstico.

Um dos indicadores desse processo é o mercado do boi gordo. A arroba do boi subiu de R$ 311 para R$ 346,05 em 12 meses, de acordo com o indicador do Cepea/Esalq, avanço de 11,27% no período.

Produção de carne bovina pode diminuir em 2026

O elevado volume de abates registrado no ano passado contribuiu para a posição do Brasil como maior produtor global. No entanto, parte dos animais enviados ao abate em 2025 pode faltar na oferta deste ano.

Além da mudança no ciclo pecuário, fatores econômicos também influenciaram as decisões dos produtores. Em meio a dificuldades em outras atividades agrícolas, muitos pecuaristas recorreram ao gado como fonte de geração de caixa, o que ampliou o número de animais abatidos.

Esse comportamento tende a ser seguido por um período de recomposição do rebanho. Nessa fase, a produção pecuária costuma desacelerar enquanto os produtores investem na retenção de matrizes, etapa necessária para ampliar a base do rebanho no futuro.

Preço da carne bovina e demanda interna e externa

Enquanto a oferta pode diminuir, a demanda por proteína bovina mostra sinais de crescimento. A melhora das condições do mercado de trabalho e o aumento da renda disponível podem estimular o consumo de carne bovina no mercado interno.

No cenário internacional, regiões como Oriente Médio e África ampliaram a compra de carne nos últimos anos. Esse avanço reforça a disputa global por proteína animal e sustenta a demanda por exportações brasileiras de carne.

Outro indicador do momento do setor é o mercado de reposição. O preço do bezerro, referência para a formação futura do rebanho, subiu 24,23% em 12 meses, passando de R$ 2.630,21 para R$ 3.267,63 no Mato Grosso do Sul.

Com menor oferta de animais, demanda internacional aquecida e valorização do gado, o preço da carne bovina pode atravessar um período de reajustes graduais no Brasil, refletindo o novo equilíbrio entre produção, consumo e o atual estágio do ciclo da pecuária brasileiro.

Fonte: Marconi Bernardino

Agronegócio

Publicado em 08/03/2026 14:30

Atualizado em 08/03/2026 14:30

Tempo de leitura: 3 Minutos

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