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Eólica no Brasil: modernização tecnológica impulsiona novo ciclo de investimentos

um processo de atualização tecnológica para se manter competitiva em relação a o
Reprodução Agenciainfra

O setor de geração eólica no Brasil encontra-se em um ponto de inflexão, onde a necessidade de atualização tecnológica se torna crucial para manter sua competitividade e atrair novos investimentos. Especialistas apontam que a fase atual exige a adoção de turbinas de maior porte e complexidade, marcando uma transição significativa em relação ao modelo que impulsionou a expansão do segmento no passado.

Essa evolução tecnológica é vista como o principal desafio para que a energia eólica continue a desempenhar um papel fundamental na matriz energética brasileira, especialmente diante da crescente ascensão de outras fontes renováveis, como a solar, que tem demonstrado notável capacidade de inovação e redução de custos.

A Exigência de Turbinas Mais Robustas e Complexas

A busca por maior competitividade na eólica demanda um redesenho completo de seus componentes, incluindo torres, geradores e pás, conforme destacado por Luiz Barroso, CEO da PSR Energy. Este processo representa uma nova curva de aprendizado para o setor, que agora precisa lidar com turbinas cada vez maiores e mais complexas.

Essa mudança de paradigma introduz novas dinâmicas, como limitações logísticas e mecânicas, que impactam diretamente a viabilidade econômica dos projetos. O setor, que não estava habituado a tamanha complexidade, enfrenta agora a necessidade de se adaptar rapidamente para superar esses obstáculos e garantir a continuidade de seu crescimento.

Ascensão da Energia Solar e o Cenário Competitivo

Historicamente, a energia eólica ocupou uma posição de liderança na expansão da matriz energética brasileira. Contudo, a energia solar tem ganhado destaque, impulsionada por sua capacidade de inovação tecnológica, especialmente na linha de produção.

Barroso explica que o mercado de painéis solares se beneficia de particularidades industriais que permitem maior ganho de escala e redução de custos. A produção modular e padronizada de placas solares em escala industrial favorece reduções progressivas nos custos de investimento, tornando-a uma opção cada vez mais atraente.

Além disso, o avanço dos sistemas de armazenamento de energia, com a produção de baterias em larga escala e a consequente queda de preços, tem alterado as perspectivas de mercado. A combinação solar-bateria surge como uma alternativa com grande potencial de competitividade, superando, em alguns aspectos, a complementaridade tradicional entre solar e eólica em termos de custo final ao consumidor.

Complementaridade e o Novo Ciclo Energético

Apesar da crescente competitividade da dupla solar-bateria, a energia eólica mantém seu valor estratégico no Brasil, especialmente por sua complementaridade com o padrão de geração das hidrelétricas e até mesmo com os painéis solares. Em muitas regiões, a intensidade do vento é maior durante a noite, o que torna a combinação eólica e solar particularmente interessante para a estabilidade do sistema.

Eduardo Ricotta, CEO da Vestas, enfatiza que a transição energética não será definida por uma única tecnologia. Ele observa que o segmento de geração no Brasil está entrando em um “novo ciclo”, caracterizado por projetos mais integrados ao sistema, maior complementaridade entre fontes renováveis, soluções híbridas, armazenamento, digitalização e repotenciação de ativos existentes.

A Capacidade Industrial Brasileira na Geração Eólica

O Brasil consolidou um parque industrial robusto para a produção de tecnologia eólica, um legado do “período de ouro” que o setor vivenciou nas últimas décadas. Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias), ressalta a presença de grandes empresas globais no país, como Vestas e Acciona, e a chegada de fabricantes chineses.

Essa estrutura industrial permite que o Brasil seja um significativo fabricante de turbinas eólicas, com um elevado índice de nacionalização. Atualmente, cerca de 80% dos componentes das turbinas utilizadas nos parques de geração eólica são produzidos em território nacional, demonstrando a capacidade tecnológica e produtiva do país no setor.

Fonte: agenciainfra.com

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