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Datacenters impulsionam demanda: ONS estima 3,5 GW de consumo energético até 2030

essas unidades, deverá saltar de 304 MWmed (megawatt médio) este ano para 3.457
Reprodução Agenciainfra

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou projeções que sinalizam um crescimento substancial na demanda por energia elétrica impulsionada por datacenters no Brasil. Essas infraestruturas, consideradas o motor da economia digital, são essenciais para o funcionamento de serviços em nuvem, inteligência artificial e processamento de grandes volumes de dados, e sua expansão reflete a crescente digitalização do país.

As estimativas do ONS apontam para um salto significativo na potência solicitada e no volume de eletricidade consumida por essas unidades. A demanda de pico de potência por datacenters, que é de 355 MW em 2026, deverá atingir a marca de 3,55 GW até o ano de 2030. Paralelamente, a carga global de energia, que mede o volume de eletricidade consumido ao longo do tempo por essas instalações, está prevista para saltar de 304 MWmed (megawatt médio) neste ano para impressionantes 3.457 MWmed em 2030, evidenciando a magnitude do impacto.

A Expansão Acelerada da Demanda por Datacenters e a Metodologia do ONS

A crescente digitalização da economia global e a necessidade de processamento e armazenamento de dados em larga escala são os principais motores por trás do aumento projetado. Os datacenters, que abrigam milhares de servidores, equipamentos de rede e sistemas de armazenamento, exigem um fornecimento contínuo e robusto de energia não apenas para operar seus componentes eletrônicos, mas também para manter sistemas complexos de refrigeração e segurança, que consomem uma parcela considerável da eletricidade total.

As projeções do ONS são fundamentadas em uma análise detalhada e conservadora dos pedidos de acesso à rede básica. Atualmente, 22 contratos com datacenters já estão formalmente assinados, garantindo sua conexão ao sistema. Além disso, há 18 demandantes com pareceres de acesso favoráveis emitidos, para os quais o operador considera um percentual de sucesso de 50% na concretização dos projetos. Essa metodologia busca oferecer uma visão realista do futuro energético, considerando tanto os compromissos firmes quanto as intenções de investimento no setor de infraestrutura de dados, conforme detalhado pela Agência iNFRA.

Concentração Geográfica e Implicações no Sistema Elétrico Nacional

Os dados do Plano da Operação Energética (PEN) 2026 detalham a evolução dessa carga energética. A carga de energia atual dos datacenters é de 299 MWmed, mas está prevista para alcançar 1.595 MWmed em 2028, proveniente exclusivamente de projetos com contratos já firmados. Adicionalmente, 222 MWmed virão de empreendimentos com parecer de acesso favorável no mesmo período, somando um volume considerável.

Para 2030, os montantes esperados são ainda maiores, chegando a 2.248 MWmed de projetos contratados e 1.208 MWmed de projetos com parecer favorável, totalizando mais de 3,4 GWmed. O ONS ressalta que essa carga significativa de datacenters estará predominantemente concentrada em três subsistemas do país: Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Sul. Essa concentração geográfica exige um planejamento robusto da infraestrutura de transmissão e distribuição para garantir a estabilidade e a segurança do fornecimento nessas regiões estratégicas para o desenvolvimento tecnológico e econômico.

O Cenário Energético Nacional em Perspectiva e Fatores de Impulso

Apesar do expressivo crescimento na demanda por datacenters, a previsão para a carga global de energia do sistema elétrico brasileiro, que é de 4,2% ao ano e 17,9% em cinco anos, apresenta-se ligeiramente menor do que as projeções contidas no último PEN. Essa revisão para baixo, com valores nominais reduzidos em 1,5% para a demanda e 0,6% para a energia até 2029 em comparação com o PEN anterior, deve-se, em parte, às temperaturas mais amenas registradas desde o ano passado e que persistiram no primeiro trimestre, impactando as previsões, especialmente para 2026, ao reduzir a necessidade de refrigeração em residências e comércios.

Contudo, os técnicos do ONS enfatizam que a carga global continua sendo impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos e setoriais. Entre eles estão a manutenção de um cenário macroeconômico que favorece o investimento e o consumo; o surgimento e a expansão contínua dos datacenters, que influenciam diretamente o consumo comercial e a aquisição de equipamentos eletrônicos; o aumento da geração distribuída, que, embora autônoma, eleva o consumo residencial total; além da interligação de Roraima ao Subsistema Norte do país, integrando uma nova área ao consumo nacional. Essas dinâmicas complexas moldam o futuro da matriz energética brasileira e exigem monitoramento constante.

Fonte: agenciainfra.com

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