Um estudo recente do Centro Universitário FEI projeta uma significativa economia de R$ 112,1 milhões nos custos logísticos para o escoamento de grãos do Centro-Oeste brasileiro. A pesquisa, que utilizou modelagem matemática avançada, aponta para uma reestruturação profunda no transporte de commodities agrícolas, com a implementação da Ferrogrão, uma ferrovia estratégica para o agronegócio nacional.
As conclusões do levantamento indicam não apenas uma redução de despesas, mas também uma redistribuição do fluxo de cargas entre os principais portos do país. Essa mudança promete otimizar rotas e fortalecer a infraestrutura de exportação, impactando diretamente a competitividade do Brasil no mercado global de grãos.
Ferrogrão: projeções de economia e eficiência no transporte
A análise da FEI revela que a Ferrogrão tem o potencial de transformar a matriz de transporte de grãos, especialmente para a produção do Centro-Oeste. A modelagem matemática empregada no estudo simulou os impactos da ferrovia, demonstrando que a sua operação resultaria em uma economia substancial nos custos logísticos. Essa otimização é crucial para um setor que depende fortemente da eficiência no escoamento de sua produção.
A ferrovia é vista como um vetor para a redução da dependência do modal rodoviário, conhecido por seus custos mais elevados e maior impacto ambiental. Ao transferir grandes volumes de carga para um sistema ferroviário-hidroviário, espera-se uma diminuição nos gargalos e um aumento na fluidez do transporte, beneficiando toda a cadeia produtiva.
Reconfiguração estratégica do escoamento de grãos no Brasil
Um dos achados mais relevantes do estudo é a projeção de uma notável redistribuição do fluxo de cargas entre os portos de Santos (SP) e Barcarena (PA). Atualmente, o terminal paraense responde por 6,38% do volume movimentado, mas a Ferrogrão poderia elevar essa participação para 34,48%. Esse crescimento o colocaria em patamar similar ao de Santos, que passaria a movimentar 36,30% do volume.
Essa reconfiguração representa um fortalecimento estratégico do chamado Arco Norte, uma região portuária que oferece vantagens logísticas para o acesso a mercados internacionais, especialmente na Ásia e Europa. A diversificação das rotas de exportação contribui para a resiliência do sistema logístico brasileiro e para a redução da concentração em um único corredor.
Impacto direto para produtores e o desenvolvimento do Arco Norte
A entrada em operação da Ferrogrão é projetada para reduzir em 43,7% o transporte rodoviário direto para o Arco Norte. Isso significa que aproximadamente 450 mil toneladas de grãos seriam transferidas para um corredor ferroviário e hidroviário mais eficiente, ligando Sinop (MT), Itaituba (PA) e Barcarena (PA). Este corredor multimodal é fundamental para a integração logística da região.
Para os produtores do norte de Mato Grosso, o estudo aponta uma economia significativa, variando entre R$ 40,09 e R$ 97,11 por tonelada transportada. Tais economias representam um alívio financeiro direto para os agricultores, aumentando sua margem de lucro e a competitividade de seus produtos no mercado. Além disso, a infraestrutura aprimorada pode estimular o desenvolvimento econômico e social nas áreas adjacentes à ferrovia.
A Ferrogrão, portanto, emerge como um projeto de infraestrutura com o potencial de redefinir a logística de grãos no Brasil, gerando economias substanciais e promovendo uma distribuição mais equitativa e eficiente das cargas entre os portos. Acompanhe as iniciativas do governo federal para o setor ferroviário.
Fonte: agenciainfra.com