Em 2016, o mundo do cinema foi cativado por La La Land, o musical romântico de Damien Chazelle que se tornou um fenômeno cultural. Uma década após seu lançamento, o filme, estrelado por Ryan Gosling e Emma Stone, prepara-se para um relançamento comemorativo. No entanto, a celebração do décimo aniversário trouxe consigo uma mudança inesperada: a correção de um detalhe no cartaz original que há anos incomodava o protagonista Ryan Gosling, conhecido por ele como a “La La Hand”.
A alteração, divulgada pela Lionsgate, encerra uma pequena saga pessoal do ator e reacende debates sobre a preservação da memória visual de obras icônicas. A decisão de modificar uma imagem tão reconhecível levanta questões sobre o revisionismo em produções culturais e o impacto na percepção do público.
O Legado de La La Land e a Polêmica Mão de Gosling
La La Land narra a história de Mia Dolan (Emma Stone), uma aspirante a atriz, e Sebastian Wilder (Ryan Gosling), um músico de jazz, enquanto eles perseguem seus sonhos e se apaixonam na vibrante Los Angeles. O filme foi um sucesso de crítica e público, conquistando seis prêmios Oscar em 2017, incluindo Melhor Atriz para Emma Stone e Melhor Diretor para Damien Chazelle. A cerimônia também ficou marcada pelo famoso erro no anúncio de Melhor Filme, quando La La Land foi erroneamente declarado vencedor antes de Moonlight receber a estatueta.
Apesar do sucesso estrondoso, um pequeno detalhe no material promocional original do filme sempre foi motivo de desconforto para Ryan Gosling. O ator expressou repetidamente sua insatisfação com a pose de sua mão no cartaz, que ele considerava desajeitada e fora de contexto com a energia da cena de dança. Essa “La La Hand”, como ele a apelidou, tornou-se um ponto de irritação pessoal ao longo dos anos.
A Correção Histórica: Fim da “La La Hand”
A insatisfação de Gosling com a “La La Hand” não era segredo. Em uma entrevista ao Wall Street Journal em 2024, o ator revelou que a pose foi uma escolha sua durante a sessão de fotos, contra a opinião de outros, e que ele se arrependeu profundamente. “Não fazia ideia de que isto ia acabar por ser o cartaz do filme”, disse Gosling. “Era suposto termos as mãos levantadas e achei que seria giro pôr a minha mão espalmada, apesar de toda a gente me dizer que não era fixe. Tinha a certeza de que era mais fixe… Mas assim matou completamente a energia. Chamo-lhe La La Hand.”
Atendendo ao apelo do ator, a Lionsgate, distribuidora do filme, anunciou a correção para o cartaz de 10 anos. A nova versão mostra a mão de Gosling em uma posição mais elegante e fluida, alinhada com o movimento da dança, em contraste com a mão espalmada original. A mudança visa aprimorar a imagem sem comprometer a essência visual que os fãs reconhecem, permitindo que Gosling, finalmente, possa “voltar a dormir descansado”, como brincou a produtora.
O Efeito Mandela no Cinema: Revisitando o Passado
A decisão de alterar um elemento tão específico de um cartaz amplamente conhecido gerou reações diversas. Por um lado, muitos fãs e o próprio ator celebram a correção de um detalhe que, para alguns, era uma pequena falha em uma obra-prima. A mudança é vista como uma atenção aos detalhes e um aceno ao desejo do artista.
Por outro lado, a alteração de uma imagem que já faz parte da memória coletiva levanta a discussão sobre o “Efeito Mandela”. Este fenômeno descreve situações em que um grande número de pessoas compartilha uma memória coletiva incorreta sobre um evento, imagem ou frase que, na realidade, nunca aconteceu da forma como é lembrada. Ao modificar um cartaz icônico, a produção de La La Land pode, involuntariamente, contribuir para uma espécie de “revisionismo” visual, onde a imagem original se torna uma memória “falsa” para as futuras gerações que só conhecerão a versão corrigida. A “La La Hand” original, que irritava Gosling, agora se torna um artefato de uma era passada, existindo apenas na memória dos que a viram e na comparação entre as duas versões.