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Disputa global por terras raras intensifica corrida tecnológica e geopolítica

Disputa global por terras raras intensifica corrida tecnológica e geopolítica
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A crescente demanda por tecnologias avançadas, especialmente no campo da inteligência artificial (IA), tem colocado os elementos de terras raras no centro de uma complexa disputa geopolítica global. Esses minerais, essenciais para a miniaturização e o desempenho de componentes eletrônicos, são a base para a próxima geração de inovações, desde veículos elétricos até sistemas de defesa.

A concentração das reservas e, crucially, da capacidade de refino desses elementos em poucas nações tem gerado um cenário de alta volatilidade e estratégias de longo prazo, com implicações significativas para o desenvolvimento tecnológico e a soberania industrial de diversos países.

Elementos Cruciais para a Revolução Tecnológica

Os elementos de terras raras, como neodímio, térbio, lantânio, cério e ítrio, são vitais devido às suas propriedades únicas que permitem a criação de tecnologias compactas e eficientes. Eles são empregados em uma vasta gama de aplicações, incluindo motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos de alta precisão e sistemas avançados de defesa.

A projeção de demanda para esses elementos indica um aumento substancial, com estimativas apontando para um crescimento de 1.500% até o ano de 2050. Este cenário sublinha a urgência em garantir o acesso e o processamento desses recursos para sustentar o avanço tecnológico global.

Concentração de Reservas e Desequilíbrio de Refino

Mais da metade das reservas mundiais de terras raras está concentrada em apenas dois países: China e Brasil. A China detém 46% das reservas globais, enquanto o Brasil ocupa a segunda posição com 23%. Contudo, a análise da cadeia de valor revela um desequilíbrio marcante após a etapa de refino.

A China controla mais de 85% do mercado de produtos refinados, dominando a etapa crucial que transforma o minério bruto em material utilizável pela indústria. O Brasil, apesar de suas vastas reservas, não possui expressão estatística significativa neste segmento, evidenciando uma lacuna fundamental em sua capacidade industrial.

Desafios Brasileiros na Cadeia de Valor

Embora o Brasil possua a tecnologia de refino e produção de terras raras em escala de laboratório e plantas-piloto, a transição para uma capacidade de processamento industrial em milhares de toneladas anuais de forma competitiva representa um desafio colossal. Entidades como o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), o CDTN (Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear) e o IPEN, em parceria com a USP, já desenvolveram e testaram métodos químicos para o refino.

Projetos como o CIT SENAI ITR em Lagoa Santa (MG) demonstram a capacidade de separar elementos e fabricar ligas metálicas e ímãs permanentes, mas ainda em escala reduzida e experimental. O custo imbatível do refino chinês, resultado de décadas de planejamento e subsídios estatais, dificulta a competitividade brasileira, que ainda carece de um parque industrial robusto para absorver a produção em larga escala de componentes de alta tecnologia.

O Papel do Estado na Soberania Tecnológica

O salto de uma planta-piloto para uma refinaria industrial de terras raras exige investimentos bilionários, um risco financeiro que bancos e fundos de venture capital consideram altíssimo no Brasil. A preferência de investidores globais, muitas vezes, é pelo envio do concentrado bruto para refinarias já estabelecidas em países aliados, mantendo o Brasil na posição de fornecedor de matéria-prima barata.

A história mostra que nenhuma potência global alcançou a soberania tecnológica contando exclusivamente com as forças espontâneas do mercado. Tanto nos Estados Unidos, com um Estado comprador e garantidor do financiamento de risco inicial, quanto na China, com um Estado focado em planejamento central e proprietário de empresas, a intervenção estatal foi fundamental para absorver o ativo inicial, considerado arriscado demais pelo capital privado. Sem uma atuação firme do Estado, as forças do mercado tendem a perpetuar a especialização regressiva, limitando o potencial de desenvolvimento industrial e tecnológico do país. Para mais informações sobre a geopolítica dos recursos, clique aqui.

Fonte: blogdomagno.com.br

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