O Supremo Tribunal da Rússia determinou a exclusão do partido Yabloko das eleições parlamentares agendadas para setembro. A decisão, que retira do pleito a única legenda declaradamente contrária à guerra na Ucrânia, atende a uma ação judicial movida pelo partido nacionalista Rodina. O Yabloko, que havia registrado sua candidatura sob o lema “Pela paz e pela liberdade”, anunciou que pretende recorrer da sentença.
Alegações de irregularidades e pressão política
A ofensiva jurídica contra o Yabloko foi iniciada em 7 de agosto por Alexei Zhuravlev, deputado da Duma de Estado e presidente do Rodina. O parlamentar alegou a existência de supostas irregularidades financeiras, incluindo o uso de recursos estrangeiros não declarados e financiamento externo para campanhas em redes sociais. Além disso, Zhuravlev classificou a plataforma de paz do partido como uma forma de “extremismo”.
Em sua defesa perante o tribunal, o presidente do Yabloko, Nikolai Rybakov, refutou as acusações e destacou que a candidatura havia sido aprovada por unanimidade pela Comissão Eleitoral Central em 29 de julho. Rybakov afirmou que o partido passou por múltiplas inspeções do Ministério da Justiça sem que qualquer ilegalidade fosse detectada, classificando o processo atual como infundado.
Contexto de isolamento e críticas de opositores
A exclusão do Yabloko ocorre em um cenário de forte pressão de outras forças políticas russas. Líderes de legendas como o KPRF, o LDPR e o Rússia Justa intensificaram ataques verbais ao partido liberal. As críticas variam desde a acusação de falta de apoio à estatalidade russa até pedidos diretos para que a sigla seja classificada como uma “organização indesejável” devido à sua defesa de negociações diplomáticas com Kiev.
O programa eleitoral do Yabloko, composto por apenas 43 palavras, focava estritamente na busca por um cessar-fogo. A presença da legenda no pleito, antes da decisão judicial, gerou especulações entre analistas políticos. Segundo o portal de investigação IStories, a admissão inicial do partido poderia ter servido como uma válvula de escape para o descontentamento popular, ou como uma estratégia para fragmentar votos de outras legendas emergentes, como o “Novas Pessoas”.
Impacto no calendário eleitoral russo
As eleições para a Duma de Estado estão mantidas para o período entre 18 e 20 de setembro. A exclusão do Yabloko consolida um ambiente eleitoral onde a oposição à “operação militar especial” encontra barreiras institucionais severas. Enquanto o partido busca reverter a decisão, dezenas de apoiadores manifestaram-se em frente ao Supremo Tribunal em Moscou, evidenciando a tensão política que cerca o processo eleitoral.