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Candidatos à Presidência de 2026 iniciam campanha com atos em redutos políticos

Candidatos à Presidência de 2026 iniciam campanha com atos em redutos políticos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento de lançamento da campanha à reeleição, em São Bernardo do Campo Francio de Holanda/VEJA Continua após a publicidade

A corrida eleitoral para a Presidência da República em 2026 teve seu pontapé inicial oficial neste domingo. Embora partidos e candidatos já estivessem engajados em diálogos e articulações políticas há meses, o dia marcou a permissão explícita para pedir votos e veicular propaganda eleitoral em diversas mídias. Diversos postulantes ao Planalto aproveitaram a data para realizar atos públicos de grande visibilidade, buscando apresentar suas plataformas e mobilizar suas bases eleitorais.

Os eventos, estrategicamente localizados em redutos políticos, serviram como uma demonstração de força e um termômetro inicial para a recepção das propostas. A partir de agora, a comunicação com o eleitor se intensifica, com a campanha se desdobrando na televisão, rádio e, de forma crescente, nas redes sociais, onde a interação direta com o público ganha destaque.

Lula e o simbolismo em São Bernardo do Campo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu um local de profundo significado histórico para seu evento de lançamento de campanha: o estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Este local é reconhecido como o berço político de Lula e um epicentro do movimento sindical brasileiro, evocando memórias de grandes mobilizações operárias que moldaram a trajetória do presidente. Em seu discurso, Lula abordou temas cruciais como a soberania nacional, a urgência no enfrentamento à violência contra as mulheres, a exploração de terras raras e o combate ao crime organizado, delineando as prioridades de sua agenda para um novo mandato.

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, também participou do ato, prestando uma homenagem emocionada a Marisa Letícia, ex-esposa do presidente, falecida em 2017. Janja ressaltou o papel fundamental de Marisa e de outras mulheres que, embora não estivessem na linha de frente das fábricas ou como líderes sindicais em 1979, atuaram de forma essencial nos bastidores do movimento. O evento reforçou a conexão do presidente com suas origens e com as bases sociais que historicamente o apoiam.

Flávio Bolsonaro e a herança política em Copacabana

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro, principal adversário do presidente, optou por um cenário igualmente simbólico para o bolsonarismo: a praia de Copacabana, na capital fluminense. O local, palco de grandes manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi escolhido para reforçar a ideia de continuidade de um projeto político. Flávio utilizou áudios antigos com a voz de seu pai, buscando evocar a memória e a influência do ex-presidente. Ele se posicionou como o sucessor natural, afirmando: “Não dá para comparar o filho do Pelé com o Pelé, mas eu aceitei essa missão”.

Em seu pronunciamento, o senador declarou que o bolsonarismo representa o “último obstáculo para que o país não vire uma ditadura”, uma retórica que ressoa com a base de seus apoiadores. Ele também destacou a importância da próxima presidência na indicação de quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio Bolsonaro prometeu que, caso vitorioso, indicará magistrados alinhados com pautas conservadoras, como a oposição ao aborto e às drogas, e que não perseguirão adversários políticos, reforçando o compromisso com valores caros ao seu eleitorado.

Outros candidatos delineiam suas prioridades

Além dos dois principais nomes, outros candidatos à Presidência também realizaram atos públicos para marcar o início de suas campanhas, cada um com estratégias e focos distintos. Renan Santos (Missão) escolheu o Largo do São Francisco, que abriga a Faculdade de Direito da USP, onde foi aluno. Usando um colete à prova de balas, ele cantou e tocou para seus apoiadores, com um discurso focado no enfrentamento às facções criminosas. “Nós vamos tingir o chão de vermelho com o sangue desses vagabundos”, declarou, enfatizando uma linha dura na segurança pública.

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), iniciou sua campanha com uma missa e uma carreata na região do entorno do Distrito Federal, passando por Águas Lindas de Goiás e outras cidades. Sua pauta central foi a segurança pública, destacando a transformação de Valparaíso, que em 2018 era considerada a cidade mais violenta do Brasil. “Transitanto o povo na rua, passeando nas praças, todo mundo alegre, tranquilo, restaurante aberto, uma vida normal que só se tem aonde se tem segurança pública”, afirmou, usando o exemplo como prova de sua eficácia.

Por fim, Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, deu início à sua jornada eleitoral no norte de seu estado, em Montes Claros, onde também participou de uma missa e visitou pontos da cidade. Zema reiterou sua proposta de criar um superpresídio na Amazônia, com o objetivo de isolar líderes de organizações e facções criminosas. “Vamos levar todos os líderes de organizações e facções criminosas”, prometeu, alinhando-se à pauta de segurança pública que permeou os discursos de vários candidatos neste primeiro dia de campanha.

Fonte: veja.abril.com.br

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