A Binatural, uma das principais fabricantes de biodiesel do Brasil, anunciou um plano robusto de expansão para suas duas plantas industriais, localizadas em Formosa (GO) e Simões Filho (BA). Com um investimento total de R$ 100 milhões, a companhia projeta elevar sua capacidade produtiva anual de 600 milhões para 700 milhões de litros até o primeiro semestre de 2027.
A iniciativa estratégica visa posicionar a empresa para um cenário de crescente demanda por biocombustíveis, tanto no mercado nacional quanto global. A expansão acontece em um momento crucial para o setor, que busca consolidar seu papel na transição energética e na redução das emissões de carbono.
Aposta na Expansão e Crescimento do Setor de Biodiesel
O investimento de R$ 100 milhões será dividido entre as duas unidades, com R$ 40 milhões provenientes de financiamento do Banco do Brasil, por meio do programa Eco Invest, e R$ 60 milhões de capital próprio da Binatural. Embora inicialmente a maior parte do capital estivesse destinada à unidade baiana, de maior capacidade, a empresa ajustou o plano para equilibrar os aportes em ambas as plantas.
A decisão de expandir reflete a antecipação da Binatural a um aumento esperado na demanda por biodiesel. Este crescimento é impulsionado tanto por novos usos, como o biobunker B100 – um biocombustível puro para navios que a empresa já testou com sucesso em motores da finlandesa Wärtsilä – quanto pela expectativa de elevação no teor de biodiesel misturado ao diesel convencional no Brasil.
Desafios e Perspectivas do Mandato de Biodiesel no Brasil
O setor de biodiesel no Brasil enfrenta um período de incertezas regulatórias, especialmente em relação ao mandato de mistura. Atualmente, o percentual de biodiesel no diesel está em 15%, aguardando os testes definitivos do Ministério de Minas e Energia (MME), previstos para serem concluídos em fevereiro de 2027. A Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024) previa um aumento escalonado de um ponto percentual por ano, visando atingir 20% em 2030 e, potencialmente, 25% após essa data.
A falta de previsibilidade no calendário de aumento da mistura tem gerado frustração entre os fabricantes, que realizaram investimentos baseados em uma demanda doméstica que ainda não se concretizou, resultando em capacidade ociosa. O CEO André Lavor ressalta que “o capital não foge de risco ou volatilidade, mas foge sim de incertezas e imprevisibilidades”, embora mantenha a confiança na evolução estrutural da política energética.
Apesar dos atrasos, existe a possibilidade de o governo ampliar o mandato diretamente de 15% para 17% após a superação dos testes de viabilidade, dada a capacidade produtiva instalada no país, que supera 15 bilhões de litros anuais e já seria suficiente para atender a um B20. Lavor argumenta que o aumento da mistura não tem correlação direta com o preço do biodiesel, que é precificado principalmente pelas matérias-primas, e não pela demanda, mantendo o balanço de oferta e demanda no Brasil confortável. Para mais informações sobre os testes e o programa, consulte o Ministério de Minas e Energia.
Inovação e Otimização na Produção de Biodiesel
Na unidade de Formosa, a Binatural planeja duplicar a área da planta, passando de 20 mil m² para 40 mil m², com a instalação de novos sistemas em terreno contíguo. Os investimentos também incluem a implementação de procedimentos inovadores para aumentar o rendimento, convertendo subprodutos da operação em mais biodiesel. A mesma abordagem será replicada na unidade da Bahia, buscando maximizar a eficiência em ambas as localidades.
O diretor industrial da Binatural, Luis Carlos da Costa Filho, detalha que cada tonelada de óleo (seja de soja, sebo bovino ou óleo de cozinha) resulta em um pouco mais de biodiesel devido ao acréscimo de metanol. Ao final do processo, a composição dos produtos é de aproximadamente 82% de biodiesel, 12% de glicerina, até 5% de borra de biodiesel e 1% de ácido graxo. A meta da Binatural é reduzir a geração de borra em até 70% e transformar todo o ácido graxo em biodiesel por meio de processos químicos incrementais. A glicerina, por sua vez, é quase totalmente exportada para a China, e a empresa planeja, em futuras rodadas de investimento, reaproveitar a borra para produzir ainda mais biodiesel.
Estratégias de Eficiência e Sustentabilidade da Binatural
A Binatural se destaca no setor brasileiro de biodiesel pela diversificação de suas matérias-primas. Enquanto a média nacional utiliza entre 70% e 80% de óleo de soja, a Binatural mantém esse percentual em cerca de 60%, complementando com gordura animal (sebo bovino ou suíno), óleo de cozinha usado e óleo de algodão, este último mais prevalente na Bahia. A gerente de sustentabilidade da Binatural, Elaine Carvalho, explica que a proporção das matérias-primas varia sazonalmente, com o sebo ganhando participação no segundo semestre, quando o abate de bovinos aumenta, e o óleo de soja predominando durante a colheita.
Outro diferencial da empresa é a composição do combustível utilizado em suas caldeiras. Além da lenha de eucalipto, a Binatural incorpora casca de Baru, um fruto típico do Cerrado. Este material, antes descartado por agricultores locais, possui um poder calorífico significativamente superior ao da madeira, contribuindo para a eficiência energética. Na Bahia, o coco de piaçava é utilizado com propósito semelhante, juntamente com outros óleos como os de algodão e palma.
Essas inovações e a gestão equilibrada de óleos contribuem para a alta Nota de Eficiência Energética Ambiental (NEEA) da usina de Formosa, que alcançou 81,75% no programa RenovaBio, um dos índices mais elevados do país. A executiva Elaine Carvalho sintetiza a filosofia da empresa: “Não existe economia verde no vermelho. Tem que dar lucro”, reforçando a importância da viabilidade econômica na busca pela sustentabilidade.
Fonte: agenciainfra.com