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Novas diretrizes transformam manejo da tireoide em gestantes no Brasil

Novas diretrizes transformam manejo da tireoide em gestantes no Brasil

As recomendações para o diagnóstico e tratamento de alterações da tireoide durante a gestação passaram por uma atualização significativa no Brasil. Baseadas em estudos recentes e na diretriz da Associação Americana da Tireoide (ATA), publicada quase uma década após as orientações anteriores, as novas diretrizes visam otimizar o cuidado e evitar intervenções desnecessárias em mulheres grávidas.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia unificaram seus posicionamentos, promovendo uma abordagem mais individualizada e baseada em evidências. As mudanças foram anunciadas durante um congresso nacional, destacando a importância de um manejo que previna danos irreversíveis e garanta a saúde da mãe e do feto.

Abordagem revisada para anticorpos tireoidianos em gestantes

Uma das principais alterações nas diretrizes diz respeito a gestantes que apresentam anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO), mas cuja glândula funciona normalmente. Nesses casos, o tratamento preventivo com levotiroxina, a versão sintética do hormônio tireoidiano, não é mais recomendado.

Estudos recentes demonstraram que a medicação preventiva não reduz os riscos de abortamento ou parto prematuro nessas condições. Especialistas explicam que a presença de anticorpos positivos indica apenas uma predisposição, não uma disfunção ativa, se os níveis de TSH e T4 livre estiverem dentro da normalidade.

Apesar da suspensão do tratamento preventivo, o monitoramento da atividade da tireoide continua sendo crucial, pois há um risco aumentado de desenvolvimento de hipotireoidismo ao longo da gestação. Para mulheres que já possuíam hipotireoidismo antes da gravidez, a orientação permanece a mesma: um aumento de aproximadamente 30% na dose habitual do hormônio logo no início da gestação.

Estratégias de rastreamento: particularidades brasileiras

O Brasil manterá sua estratégia de rastreamento precoce e universal de todas as gestantes desde o início da gravidez, uma abordagem que difere da nova diretriz da ATA. A recomendação internacional sugere o rastreamento seletivo, focado apenas em mulheres com fatores de risco específicos.

A decisão de manter o rastreamento universal no Brasil baseia-se na preocupação de que o rastreamento seletivo pode não identificar todas as mulheres com alterações tireoidianas que não possuem os fatores de risco tradicionais. Essa estratégia busca garantir que nenhuma gestante que necessite de tratamento seja negligenciada, ao mesmo tempo em que promove a individualização do cuidado para evitar medicações desnecessárias.

Quando não for possível testar todas as gestantes, a diretriz atualiza os fatores de risco para um rastreamento mais específico. Permanecem no grupo de risco mulheres com histórico de hipo ou hipertireoidismo, cirurgia ou tratamento prévio da tireoide, doenças autoimunes como diabetes tipo 1, histórico familiar de doença tireoidiana, infertilidade, dois ou mais abortamentos, ou uso de medicamentos que interfiram na glândula.

Fatores como idade materna, obesidade e número de gestações anteriores deixam de ser considerados isoladamente como risco, pois são características muito frequentes na população e não identificavam com precisão a disfunção tireoidiana.

Manejo do hipotireoidismo subclínico na gravidez

Outra mudança importante refere-se ao manejo do hipotireoidismo subclínico, caracterizado por TSH elevado e T4 livre normal. O início do tratamento para TSH entre 4,0 e 10 mUI/L agora é focado no primeiro trimestre da gestação.

Especialistas enfatizam que as primeiras 12 semanas de gravidez são um período crítico, no qual o desenvolvimento fetal depende mais intensamente do hormônio tireoidiano materno. Se o problema for identificado apenas no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é apenas acompanhar a função tireoidiana, sem iniciar a levotiroxina, a menos que o TSH seja superior a 10 mUI/L.

A decisão de tratar deve considerar o nível do TSH, o T4 livre e o momento da gestação, evitando o tratamento hormonal de rotina sem evidência científica clara de benefício. Além disso, o posicionamento internacional recomenda repetir o exame de TSH após uma a três semanas antes de decidir tratar, pois algumas alterações leves podem ser transitórias. No entanto, as sociedades médicas brasileiras recomendam não aguardar esse período, priorizando a agilidade no diagnóstico e tratamento devido às particularidades do sistema de saúde.

Suplementação de iodo: uma abordagem individualizada

A necessidade de iodo, micronutriente essencial para a produção de hormônios tireoidianos, aumenta durante a gestação e amamentação. Enquanto a ATA orienta a suplementação universal de iodo já antes da concepção, o posicionamento brasileiro adota uma abordagem mais individualizada.

No Brasil, a suplementação de iodo não é recomendada para todas as gestantes. Ela deve ser considerada principalmente para mulheres com maior risco de ingestão insuficiente, como aquelas com dietas muito restritivas (veganas), baixo consumo ou ausência de sal iodado, ou em situações de má absorção. Nesses casos, a suplementação de 100 a 150 µg de iodo por dia pode ser indicada, garantindo a ingestão adequada sem excessos.

Para mais informações sobre as diretrizes da Associação Americana da Tireoide, clique aqui.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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