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Dependência chinesa domina o mercado brasileiro de energia solar

Dependência chinesa domina o mercado brasileiro de energia solar
Copyright Magno Martins - 2023

O Brasil, apesar de possuir condições geográficas privilegiadas para a geração de energia fotovoltaica, enfrenta uma dependência estrutural de fornecedores estrangeiros. Atualmente, 99% dos painéis solares importados pelo país têm origem na China, consolidando o domínio do gigante asiático sobre a cadeia produtiva global do setor. Essa concentração é ainda mais expressiva em componentes específicos, atingindo 95% das células solares e 62% dos kits completos de geradores fotovoltaicos que chegam ao mercado nacional.

A hegemonia chinesa na cadeia produtiva global

A supremacia chinesa não se limita à montagem final dos equipamentos. A produção de energia solar exige um processo complexo que se inicia com o beneficiamento do quartzo e a fabricação do silício metalúrgico. Após a purificação para o grau solar e a criação de lingotes, o material é transformado em lâminas finas, conhecidas como wafers. A China detém cerca de 86% da capacidade mundial de produção de polissilício, além de controlar 97% da fabricação de wafers e 84% das células fotovoltaicas.

Diferente da trajetória de países como Alemanha, Estados Unidos e Japão, que foram pioneiros no desenvolvimento tecnológico, a China utilizou incentivos governamentais e ganhos de escala para integrar todos os elos da cadeia. Hoje, oito das dez maiores fabricantes mundiais de módulos são chinesas. Essa escala industrial permite que o país asiático ofereça preços competitivos que tornam a produção local em outras nações um desafio econômico constante.

Evolução e desafios da energia solar no Brasil

No Brasil, a energia solar ocupa um papel crescente na matriz elétrica. Dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) indicam que grandes usinas fotovoltaicas representam 8% da capacidade instalada. Somando-se a micro e minigeração distribuída, que atendem residências e comércios, o setor responde por 21% da capacidade, junto à eólica de pequeno porte. O crescimento foi impulsionado por marcos regulatórios, como as regras da Aneel de 2012, que permitiram a compensação de créditos de energia.

Historicamente, o governo buscou fomentar uma indústria nacional através de leilões federais e exigências de conteúdo local vinculadas a financiamentos do BNDES. Contudo, essa estratégia perdeu tração à medida que o mercado livre e a geração distribuída, focados na redução imediata de custos, passaram a liderar a expansão. Com a flexibilização das regras de crédito e a queda nos preços dos equipamentos importados, tornou-se financeiramente mais atrativo importar módulos e realizar apenas a montagem de componentes periféricos no Brasil.

Perspectivas para o fortalecimento da indústria nacional

O setor, representado pela Absolar, aponta que a produção nacional de módulos ainda é limitada, atendendo menos de 3% da demanda interna. Para reverter esse cenário, a entidade defende a criação de um ecossistema baseado em três pilares: demanda previsível através de leilões, crédito facilitado e uma política industrial robusta. A proposta inclui taxas de juros reduzidas e prazos maiores para fabricantes e consumidores que optarem por equipamentos produzidos no país.

Apesar da necessidade de fortalecimento local, o setor mantém uma postura contrária ao aumento de tarifas de importação. A avaliação é de que barreiras protecionistas artificiais resultariam apenas no encarecimento da energia solar para o consumidor final, sem garantir a competitividade da indústria brasileira. O foco, portanto, permanece na busca por condições que permitam ao Brasil escalar sua própria capacidade produtiva sem onerar a transição energética nacional.

Fonte: blogdomagno.com.br

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