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Bélgica mantém resistência ao uso de ativos russos congelados para financiar Ucrânia

Bélgica mantém resistência ao uso de ativos russos congelados para financiar Ucrânia
O comboio italiano de alta velocidade Frecciarossa está na estação de Kinding, na Alemanha, durante um teste, quarta-feira, 2 de setembro de 2026.(Daniel Karmann/dpa via AP)

A Bélgica reiterou sua posição contrária à utilização de ativos soberanos russos congelados para financiar o esforço de guerra da Ucrânia. O país, que abriga a Euroclear — depositário central onde estão retidos cerca de 210 mil milhões de euros em ativos russos —, mantém o argumento de que a medida impõe riscos financeiros e reputacionais significativos para toda a zona euro.

O debate voltou ao centro das discussões durante uma reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, realizada na terça-feira. A pressão por uma nova estratégia partiu de um grupo liderado por Suécia, Países Baixos, Espanha e Polónia, que defendem a mobilização desses recursos diante das crescentes dificuldades de financiamento para Kiev.

Riscos financeiros e a posição belga

O ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, afirmou que a postura do governo belga permanece inalterada há um ano. Segundo o representante, a proposta de confiscar ou utilizar os ativos russos através de processos de crédito não conta com entusiasmo entre os Estados-membros, devido ao temor de retaliações por parte de Moscovo.

A Bélgica exige garantias ilimitadas e uma mutualização integral dos riscos para aceitar qualquer avanço. O país sustenta que os ativos devem permanecer intocados até que ocorram negociações de paz, servindo como uma ferramenta de pressão diplomática para garantir que a Rússia venha a indemnizar a Ucrânia pelos danos causados pelo conflito.

Pressão por recursos e o cenário em Kiev

A urgência em encontrar novas fontes de financiamento cresce à medida que o empréstimo de 90 mil milhões de euros, aprovado anteriormente, enfrenta incertezas sobre sua viabilidade até 2027. O governo ucraniano, por meio do ministro Andrii Sybiha, defende que a utilização dos ativos é uma abordagem justa para suprir o défice de 23 mil milhões de euros necessário para o Ministério da Defesa.

A situação no terreno é agravada pelos ataques contínuos da Rússia com drones e pela obstrução de rotas de exportação de cereais no mar Negro. Com a queda das receitas e o aumento dos custos operacionais, Kiev solicitou que a União Europeia antecipe parcelas dos fundos previstos, uma medida que, embora alivie o curto prazo, comprometeria a estabilidade financeira do bloco nos anos seguintes.

Divergências jurídicas e o futuro do apoio europeu

Embora a pressão aumente, a Comissão Europeia mantém cautela em apresentar uma nova proposta formal sem garantias de consenso político. O ministro italiano Antonio Tajani destacou que, apesar de não haver uma oposição de princípio, é fundamental verificar a base jurídica para qualquer movimentação dos ativos, evitando riscos judiciais como a ação movida pelo Banco Central russo contra a Euroclear.

Para mais detalhes sobre o panorama geopolítico, consulte a cobertura completa em euronews.com. O impasse reflete a complexidade de equilibrar a solidariedade internacional com a Ucrânia e a preservação da estabilidade do sistema financeiro europeu.

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