Em um movimento político significativo, Jordan Bardella, presidente do partido de extrema-direita francês Rassemblement National, e Nigel Farage, líder do Reform UK, assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de pôr fim “para sempre” às travessias irregulares de migrantes em pequenas embarcações. O acordo foi formalizado na conferência anual do Reform UK, realizada em Birmingham, no dia 4 de setembro de 2026, marcando um compromisso conjunto caso seus respectivos partidos cheguem ao poder.
A iniciativa surge em meio a debates crescentes sobre a gestão da migração no Canal da Mancha e a segurança das fronteiras europeias. A colaboração entre os dois líderes, conhecidos por suas posições eurocéticas, busca apresentar uma frente unida para abordar o que consideram uma crise migratória, prometendo medidas rigorosas para deter o fluxo de travessias ilegais.
A formalização de um acordo migratório
O pacto, descrito por Nigel Farage como uma “verdadeira nova entente cordiale” entre os dois países e partidos, simboliza uma aliança estratégica entre forças políticas de direita na Europa. A assinatura em palco sublinhou o compromisso de ambos os líderes em implementar políticas que visem a interrupção definitiva das travessias de migrantes.
Jordan Bardella, que aspira ao cargo de primeiro-ministro da França, reiterou a posição de que o Reino Unido não deve ser o destino final para imigrantes ilegais que partem da França. Ele defendeu que esses indivíduos deveriam ser “enviados de volta aos países de origem”, enfatizando a necessidade de uma gestão de fronteiras mais eficaz.
Posicionamentos e críticas sobre a gestão migratória
Durante seu discurso, proferido em inglês, Bardella criticou o presidente francês, Emmanuel Macron, acusando-o de “falhar” na proteção das fronteiras francesas. Posteriormente, em uma coletiva de imprensa em francês, o líder do Rassemblement National afirmou que, com uma melhor gestão das fronteiras por parte da França, “ninguém sairia de Calais”.
Este encontro entre Bardella e Farage ocorreu logo após uma visita do presidente Macron a Londres, na quinta-feira, onde se reuniu com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. A pauta do encontro oficial incluiu discussões sobre o fortalecimento dos esforços contra as travessias ilegais e a consolidação das relações entre o Reino Unido e a Europa, evidenciando a complexidade e a urgência do tema. O governo trabalhista britânico indicou esta semana que o Reino Unido registou este verão o número mais baixo, desde 2019, de embarcações com migrantes e requerentes de asilo a atravessarem o Canal da Mancha de França para Inglaterra, conforme dados recentes sobre a migração no Canal da Mancha.
Histórico e evolução das relações políticas
Apesar da atual convergência de ideias, a relação entre Nigel Farage e o Rassemblement National (anteriormente Frente Nacional) nem sempre foi harmoniosa. Em 2014, Marine Le Pen, então líder do partido, acusou Farage de “agressão” por sua recusa em formar uma aliança no Parlamento Europeu, citando o que ele descreveu como “antissemitismo e preconceito generalizado” dentro da Frente Nacional.
Farage, ao ser questionado sobre suas ligações passadas com o partido, admitiu ter se sentido “nervoso” com a formação fundada por Jean-Marie Le Pen no início de sua carreira como eurodeputado em 1999. No entanto, ele elogiou Marine Le Pen por ter “afastado do partido esses elementos extremistas e trazê-lo para o centro do debate político”, classificando-a como uma “conquista considerável”.
Controvérsias e desafios internos do Reform UK
O acordo foi assinado em um momento desafiador para o Reform UK. O partido liderou as pesquisas nacionais no Reino Unido por mais de um ano até julho, mas seu apoio diminuiu nas últimas semanas devido a uma série de escândalos. As controvérsias estão relacionadas a alegações de financiamento político irregular.
Horas antes da conferência, o Reform UK foi denunciado à Polícia Metropolitana e à Comissão Eleitoral por supostas doações ilegais. Este caso surgiu após uma investigação jornalística do Channel 4 News, onde um grupo de investigação se fez passar por um financiador norte-americano e seu filho, residente no Reino Unido. A legislação britânica proíbe doações de investidores estrangeiros, adicionando uma camada de complexidade ao cenário político do partido.