A mineração conquistou um espaço inédito nas propostas dos candidatos que lideram a corrida eleitoral ao Palácio do Planalto. O movimento reflete a urgência de estabelecer uma estratégia nacional para a exploração de reservas minerais, impulsionada pelo acirramento de disputas geopolíticas globais em torno de insumos considerados essenciais para a soberania e a transição energética.
Especialistas observam que, embora o setor tenha ganhado relevância, os planos apresentados por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ainda carecem de detalhamento técnico. A crítica central recai sobre a transição das diretrizes políticas para a execução prática de políticas públicas voltadas a minerais críticos, fertilizantes e urânio.
Desafios na execução de políticas para minerais críticos
Apesar de ambos os candidatos reconhecerem a importância estratégica dos minerais críticos, o setor aponta uma lacuna na definição de métodos operacionais. Luis Mauricio Azevedo, presidente do conselho da ABPM, destaca que os documentos apresentam diagnósticos razoáveis, mas falham ao não indicar como as intenções serão transformadas em resultados concretos.
Frederico Bedran, diretor-executivo da AMC, reforça que o Brasil possui uma janela de oportunidade limitada no mercado internacional. Segundo ele, o país precisa de um direcionamento claro já no primeiro semestre de um eventual mandato para não perder competitividade, focando na agregação de valor local em vez da exportação de matéria-prima bruta.
Divergências ideológicas sobre o papel do Estado
As abordagens sobre o modelo de desenvolvimento mineral revelam visões antagônicas. Enquanto a campanha de Lula sinaliza uma atuação mais presente do Estado, com foco em mapeamento e soberania nas cadeias globais, o plano de Flávio Bolsonaro propõe que o governo atue primordialmente como regulador e coordenador, evitando o papel de empresário.
O candidato do PL detalha pilares como a estabilidade do marco regulatório, o licenciamento ágil e a atração de capital privado. Em contrapartida, o programa petista enfatiza a criação de políticas específicas para terras raras e a manutenção de uma estratégia regional que visa integrar o país às cadeias de valor com maior controle estatal.
Perspectivas para fertilizantes e indústria nuclear
A produção de fertilizantes aparece como ponto de convergência, com ambos os candidatos defendendo o aumento da autonomia nacional para fortalecer o setor agrícola. Contudo, especialistas alertam para a necessidade de isonomia tributária, argumentando que o produto importado ainda desfruta de vantagens competitivas sobre o nacional, o que inibe investimentos internos.
No setor nuclear, Lula defende o uso do urânio como política de Estado, mantendo o foco no ciclo do combustível. Já a ausência de uma estratégia clara para o urânio no plano de Flávio Bolsonaro é vista com preocupação por analistas, que consideram o recurso fundamental para a geração de energia limpa e o suporte a novas tecnologias, como data centers de Inteligência Artificial. Para mais detalhes sobre o panorama do setor, acesse o portal da Agência iNFRA.
Fonte: agenciainfra.com