O cenário econômico brasileiro recente tem sido marcado por um desempenho notável na contenção da inflação, especialmente sob a terceira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dados recentes revelam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou uma alta de 17,9% no período de janeiro de 2023 a agosto de 2026, posicionando este mandato com a menor inflação registrada às vésperas de uma eleição presidencial desde a implementação do Plano Real em julho de 1994.
Este patamar inflacionário, que considera o acumulado do IPCA até agosto do quarto ano de cada governo, oferece um panorama comparativo significativo com gestões anteriores. A análise detalhada dos fatores que contribuíram para essa desaceleração, bem como os desafios econômicos persistentes, são cruciais para compreender o atual momento do país.
Desempenho histórico da inflação no atual governo
A marca de 17,9% no IPCA acumulado até agosto do quarto ano de governo representa um feito notável em termos de controle inflacionário. Para contextualizar, o segundo mandato do presidente Lula (2007-2010) havia registrado uma inflação de 19% no mesmo período. Já a gestão anterior, de Jair Bolsonaro (2019-2022), acumulou um índice significativamente maior, de 25,3%.
A comparação é feita com base nos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que monitora a variação de preços no país. O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 está agendado para 4 de outubro, e o IPCA de setembro, que seria o último dado antes do pleito, só será conhecido em 9 de outubro.
Fatores econômicos por trás da desaceleração do IPCA
Especialistas apontam uma série de fatores que contribuíram para o controle da inflação no atual governo. Segundo Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, a ausência de choques intensos no câmbio e no clima, que impactaram mandatos anteriores, foi um elemento facilitador. Além disso, a política de juros altos adotada pelo Banco Central (BC) desempenhou um papel fundamental em frear o índice, apesar das críticas do presidente Lula à atuação do BC sob a gestão de Roberto Campos Neto, argumentando que juros elevados dificultam o crescimento econômico.
Ainda que o patamar seja historicamente menor, Vale ressalta que um IPCA próximo de 18% em menos de quatro anos ainda pode ser considerado elevado. Ele atribui a persistência desse nível a um “impulso fiscal” que se observa com intensidade no governo. Por outro lado, o economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, destaca que boas safras agrícolas, impactadas por condições climáticas favoráveis, também foram cruciais para conter o IPCA. Romão adiciona que o menor impacto do câmbio e o rearranjo das cadeias produtivas globais após a pandemia de COVID-19 igualmente contribuíram para o cenário desde 2023.
Romão, contudo, faz uma distinção importante entre a inflação, que mede o ritmo de aumento dos preços, e o nível absoluto dos preços. Ele lembra que o custo dos alimentos, em particular, ainda reflete uma forte pressão da época da pandemia, mesmo que o ritmo de aumento tenha diminuído. A dificuldade de acesso a itens básicos de alimentação gera um “mal-estar” na população, pois, ao contrário de bens duráveis, a compra de alimentos não pode ser postergada.
Desafios econômicos e o cenário eleitoral
Apesar do controle inflacionário e de um mercado de trabalho que tem apresentado recordes positivos, o cenário econômico não está isento de desafios. O endividamento das famílias brasileiras, por exemplo, tornou-se uma preocupação para a gestão petista às vésperas das eleições. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam que o percentual de famílias com dívidas a vencer manteve-se estável em um patamar recorde de 82% em agosto.
Para Sergio Vale, essa situação pode explicar o “mau humor” de parte da população, mas o quadro econômico geral ainda é visto como favorável para o presidente Lula. Ele argumenta que os indicadores que mais afetam o consumidor, como inflação e desemprego, estão em seus melhores momentos. Assim, se o presidente enfrentar dificuldades eleitorais, elas seriam mais relacionadas a questões políticas do que estritamente econômicas.
A estabilidade econômica, com a inflação em patamares mais controlados, é um ativo importante para qualquer governo em período eleitoral. No entanto, a percepção pública sobre a economia é complexa, influenciada não apenas pelos índices macroeconômicos, mas também pela realidade do poder de compra e do endividamento familiar. Acompanhe os dados do IPCA diretamente no site do IBGE para mais informações.
Fonte: blogdomagno.com.br