Lideranças indígenas da Terra Indígena (TI) Mãe Maria, localizada em Bom Jesus do Tocantins, emitiram um ultimato às autoridades nesta terça-feira (22). O cacique Kaharare Parkatêjê declarou que as comunidades aguardam até as 17 horas por um posicionamento oficial sobre a reintegração de posse de uma área invadida por cerca de 150 famílias. A região, situada a aproximadamente 20 quilômetros de Marabá, está sob ocupação desde o último sábado (19).
A tensão na Terra Indígena Mãe Maria
O clima de incerteza motivou um pronunciamento público das lideranças, que buscam evitar o retorno de conflitos históricos na região. Em vídeo, representantes indígenas reforçaram que a área é demarcada e protegida por decreto federal. O grupo solicita intervenção imediata do Ministério Público Federal (MPF), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ibama e da Polícia Federal para garantir a desocupação pacífica do território.
Segundo relatos das lideranças, a ocupação na parte sul da TI Mãe Maria gerou um estado de alerta entre os moradores das mais de 50 aldeias da região. Inicialmente, a orientação foi de não estabelecer contato direto com os invasores, delegando a resolução do impasse aos órgãos competentes e ao sistema judiciário. Contudo, a demora na resposta oficial tem elevado a impaciência dos indígenas, que agora consideram tomar decisões próprias caso o prazo estipulado não seja cumprido.
Articulação com órgãos federais e judiciário
Escrawen Sompré, coordenador da Funai em Marabá, confirmou que toda a documentação necessária para o pedido de reintegração de posse já foi enviada para Brasília. A Procuradoria Federal Especializada trabalha para ingressar com a ação na Justiça de Marabá. O coordenador tem mantido diálogo constante com os caciques na aldeia Kyikatêjê, buscando conter possíveis reações precipitadas enquanto o rito processual segue seu curso.
Em visitas anteriores à área ocupada, o diretor da Funai constatou que os invasores alegam possuir documentação sobre a terra, argumento prontamente contestado pela instituição. “A terra é indígena e o documento será contestado em juízo”, afirmou Sompré. A expectativa das autoridades é que, uma vez concedida a liminar de reintegração, as forças de segurança sejam mobilizadas para cumprir a ordem judicial e restaurar a integridade da TI Mãe Maria, conforme detalhado pelo Correio de Carajás.
Fonte: correiodecarajas.com.br