Em um relato emocionante direto do Hospital Regional do Sudeste do Pará, em Marabá, o pescador João Batista Fernandes de Souza, de 57 anos, compartilhou os momentos aterrorizantes de sua luta pela vida contra um jacaré gigante no Rio Araguaia, em São Geraldo do Araguaia. O animal, que ele estimou ter cerca de quatro metros de comprimento, o atacou de surpresa enquanto ele instalava uma malhadeira para pescar, transformando uma rotineira atividade em um embate pela sobrevivência.
João sofreu múltiplas fraturas nos membros inferiores, uma grave laceração na perna direita e outros ferimentos pelo corpo. Sua capacidade de reação e determinação foram cruciais para conseguir se libertar do predador. Familiares que o acompanham no hospital detalharam que, em um ato desesperado, o pescador chegou a enfiar o polegar no olho do jacaré, o que fez com que o animal finalmente o soltasse.
O ataque repentino nas águas do Araguaia
O incidente ocorreu por volta das 16h de uma terça-feira, quando João Batista se dirigiu à margem do Rio Araguaia para colocar sua malhadeira, uma prática comum para garantir o alimento. Ao entrar na água, ele foi surpreendido pela presença do jacaré. O pescador descreveu o animal como de grande porte e com uma estrutura corporal notável, utilizando a expressão “era acavalado!” para enfatizar sua robustez.
O impacto inicial do ataque foi sentido na perna de João assim que ele pisou na água. Em um instinto de autodefesa, ele procurou um pedaço de galho nas proximidades e começou a golpear o jacaré. “Quando eu pisei na água, eu senti a lapada na minha perna. Aí eu fui lutar, arrumar um ramo de mato que tinha lá fora. Aí eu dei uns tapas na cara dele e ele não atendeu. Aí agarrou do meu braço”, relatou o pescador, descrevendo a escalada da agressão.
A luta desesperada pela sobrevivência
A batalha de João Batista contra o jacaré se estendeu por um período angustiante, estimado entre 30 e 40 minutos. Durante todo esse tempo, ele empregou todas as suas forças e recursos para tentar se desvencilhar do animal, que o mantinha preso com sua poderosa mandíbula. A estratégia de atingir o olho do jacaré, conforme narrado por seus familiares, foi o ponto de virada que permitiu ao pescador escapar da morte iminente.
A situação crítica só encontrou um desfecho quando Wilson Ipiranga e seu filho, Marcos Wilson, que estavam em um campo próximo, ouviram os gritos de socorro de João. Apesar da distância e do barulho ambiente, a percepção de que alguém estava em perigo os impulsionou a correr em direção ao rio para prestar ajuda. A intervenção rápida dos dois foi fundamental para o resgate do pescador.
O resgate e a trajetória de um pescador
Após ser socorrido, João Batista foi imediatamente encaminhado para atendimento médico. Ele foi posteriormente transferido para o Hospital Regional do Sudeste do Pará, em Marabá, onde recebeu os cuidados necessários. Natural de Araguatins (TO) e residente em São Geraldo do Araguaia há cerca de três anos, João possui mais de 30 anos de experiência na pesca, uma atividade que o levou a colecionar inúmeras histórias às margens dos rios.
Apesar de sua vasta experiência, o pescador afirmou que nunca havia encontrado um jacaré durante suas pescarias. Mesmo diante da gravidade do ataque e dos ferimentos, João Batista expressou sua firme intenção de não abandonar a pesca, a atividade que pratica há décadas e que é parte intrínseca de sua vida. Para mais informações sobre a fauna e flora da região, você pode consultar fontes como a Wikipedia sobre o Rio Araguaia.
Recuperação e perspectivas futuras
No hospital, João passou por uma série de exames e foi submetido a uma cirurgia na noite do ataque, por volta das 21h. Ele se recupera dos ferimentos, que incluíram fraturas e uma laceração significativa na perna direita. Embora ainda não tenha uma data definitiva para alta, a expectativa inicial é que sua internação se estenda por aproximadamente 15 dias, período necessário para sua recuperação e reabilitação.
Apesar do trauma e da longa recuperação pela frente, o pescador demonstra resiliência e a mesma determinação que o ajudou a sobreviver ao ataque. Sua história serve como um lembrete dos perigos inerentes à vida nas margens dos rios e da força do espírito humano diante da adversidade.
Fonte: correiodecarajas.com.br