Uma representação protocolada em agosto deste ano junto ao Ministério Público do Pará (MPPA) trouxe à tona questionamentos sobre a atuação de Lanúzia Cunha, primeira-dama de Marabá, em eventos e ações vinculadas à administração municipal. O documento aponta que a estrutura da Prefeitura teria sido utilizada para promover a imagem de Lanúzia, que é candidata a deputada estadual nas Eleições de 2026, com a suposta anuência do prefeito Toni Cunha.
A denúncia, que busca apurar possíveis danos ao patrimônio público e condutas vedadas, sustenta que a primeira-dama atuou como uma espécie de “mandatária informal”. Segundo o texto, essa posição teria permitido o acesso a materiais, informações e a participação recorrente em reuniões técnicas e eventos oficiais, sem que houvesse vínculo funcional ou cargo público ocupado por ela na estrutura do município.
Uso de estrutura pública e coordenação de programas
O foco principal da investigação recai sobre a participação de Lanúzia Cunha em programas como o “Prefeitura Perto de Você”. De acordo com os relatos, a primeira-dama aparecia frequentemente utilizando coletes de identificação do programa e coordenando equipes, o que, segundo a representação, teria servido para associar sua imagem pessoal aos serviços prestados pela gestão municipal.
Registros anexados ao processo detalham episódios ocorridos entre janeiro e maio de 2026, incluindo reuniões sobre o atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista e eventos em diversos residenciais de Marabá. A denúncia argumenta que a repetição dessas atividades não teria caráter pontual, mas sim uma estratégia deliberada de promoção política.
Contratações temporárias sob suspeita
Além da exposição em eventos, o documento encaminhado ao MPPA questiona a legalidade de contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde. A representação aponta a admissão de 245 servidores temporários durante os meses de julho e agosto de 2026, período em que a legislação eleitoral impõe restrições severas para novas contratações no serviço público.
A lista de contratados inclui profissionais de diversas áreas, como enfermagem, portaria e serviços gerais. O Ministério Público deverá analisar se houve irregularidade no processo de seleção e se o prefeito, na qualidade de gestor, autorizou as contratações em desacordo com as normas vigentes, configurando possível uso da máquina pública para fins de campanha.
Acervo probatório e próximos passos
Para sustentar as alegações, os denunciantes reuniram um vasto material composto por 24 anexos. O acervo inclui 15 vídeos, sete imagens e uma planilha detalhada com os nomes dos servidores temporários contratados. Todo o conteúdo, que pode ser consultado nesta pasta pública, busca documentar a cronologia dos fatos relatados.
O material apresenta publicações feitas em redes sociais, tanto por perfis oficiais da Prefeitura quanto pelos próprios envolvidos, que servirão de base para a análise dos promotores. A expectativa é que o órgão ministerial avalie se as condutas descritas configuram abuso de poder político e econômico, além de eventual violação da impessoalidade na administração pública.
Fonte: correiodecarajas.com.br