O estado do Pará registrou o menor índice anual de desmatamento desde o início da série histórica do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), em 1988. Os dados oficiais divulgados em 16 de outubro de 2026 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam uma expressiva redução de 45,3% na supressão da vegetação nativa em comparação ao ciclo anterior.
As estimativas técnicas detalham que a área degradada caiu de 2.064 quilômetros quadrados (km²) para 1.130 km² no período compreendido entre agosto de 2025 e julho de 2026. A retração de 934 km² equivale a uma área estimada em cerca de 130 mil campos de futebol, consolidando um ciclo contínuo de desaceleração na perda de cobertura vegetal na região.
Série histórica aponta cinco anos consecutivos de queda no desmatamento
Com o resultado recente, o Pará acumula cinco anos seguidos de recuo nos índices de supressão florestal monitorados pelo Inpe. Em 2021, o estado havia contabilizado 5.238 km² de devastação, o que representa uma queda acumulada de 78,4% até o patamar atual.
Na comparação com o pico histórico de 2004, quando o território paraense atingiu 8.870 km² de área derrubada, a diminuição chega a impressionantes 87,3%. O ritmo de declínio anual tem se acentuado de forma consistente, passando por reduções sucessivas de 20,5% em 2022, 20,7% em 2023, 27,4% em 2024 e 13,8% em 2025.
Esforços de fiscalização ambiental e políticas públicas
O secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Raul Protázio Romão, pontuou que o avanço nos indicadores reflete a necessidade de manter operações contínuas de controle e fomento a práticas sustentáveis. Para o gestor, o combate à derrubada ilegal exige um esforço articulado entre vigilância rigorosa e alternativas econômicas para a população local.
Entre as principais ferramentas implementadas pelo governo estadual estão o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), o Programa Regulariza Pará e o Plano Estadual de Bioeconomia. Tais iniciativas englobam a regularização fundiária por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o uso intensivo de satélites e o incentivo a cadeias produtivas que valorizam a floresta em pé.
Importância do monitoramento por satélite
O sistema Prodes emprega imagens de alta resolução obtidas por satélite para mapear e calcular anualmente o corte raso na Amazônia Legal. Essa tecnologia garante transparência e precisão técnica indispensáveis para o desenho, a execução e a avaliação de políticas públicas voltadas à preservação ambiental.
A conservação da vegetação nativa desempenha um papel central na proteção da biodiversidade regional, na manutenção dos recursos hídricos e na mitigação das mudanças climáticas globais. A contenção da devastação reduz drasticamente a emissão de gases de efeito estufa associados ao uso da terra, fortalecendo o compromisso climático do estado.
Fonte: portalofato.com.br