O mercado do boi gordo encerrou a quinta-feira (24) operando sob um cenário de baixa liquidez e ritmo contido nas negociações. Conforme dados do Cepea, a dinâmica atual é definida por um embate direto entre a pressão exercida pela indústria frigorífica e a resistência dos pecuaristas, que evitam ceder a patamares de preços inferiores.
Ao longo da última semana, as indústrias intensificaram a pressão sobre os negócios de balcão. O argumento central para essa postura é o alongamento das escalas de abate, que diminui a urgência por novas aquisições de gado no curto prazo.
Dinâmica do mercado do boi gordo em diferentes regiões
No estado do Mato Grosso, o mercado observou um recuo de R$ 5 na arroba do boi gordo, com transações situadas entre R$ 350 e R$ 355. Apesar dessa retração, a oferta de animais permanece restrita em diversas localidades, uma vez que muitos lotes já foram comercializados, travando o fluxo de novas negociações.
Em São Paulo, os preços mantiveram estabilidade, oscilando entre R$ 360 e R$ 365 por arroba. Mesmo diante da pressão compradora, os produtores mantêm uma postura de espera por valores mais atrativos, enquanto as escalas de abate no estado variam entre 7 e 12 dias, garantindo tranquilidade aos frigoríficos.
Escalas alongadas e a influência do clima
O alongamento das escalas de abate é o fator determinante para a pressão sobre as cotações. Em regiões como o Norte de Minas, as programações já alcançam 14 dias de antecedência, reduzindo o ímpeto de compra por parte das unidades frigoríficas.
O mercado agora volta suas atenções para o mês de maio. Historicamente, este período marca o aumento da oferta de animais devido à sazonalidade das pastagens, que perdem qualidade com a chegada do período seco.
Contudo, as condições climáticas atuais têm se mostrado mais favoráveis do que em anos anteriores. O bom estado das pastagens pode atuar como um fator de retenção, limitando o aumento esperado na oferta de animais para o abate.
Sustentação pelo mercado atacadista
Diferente do mercado físico, o atacado apresenta um cenário de maior firmeza. A demanda por carne bovina segue aquecida, com boa saída de produtos e redução dos estoques nos centros de distribuição.
Na Grande São Paulo, o quilo da carcaça casada foi negociado a R$ 25,64 à vista. Esse valor resulta em uma arroba equivalente de R$ 384,60, patamar superior aos preços praticados no campo. Esse descolamento entre os preços do atacado e do boi gordo tem servido como um suporte, evitando quedas mais acentuadas nas cotações da arroba.
Fonte: canalrural.com.br