O mercado de proteína animal brasileiro apresentou uma mudança de trajetória na reta final de abril. Após um ciclo de três semanas consecutivas de valorização, os preços da carne de frango no mercado interno iniciaram um movimento de recuo. De acordo com análises técnicas do Cepea, o fenômeno é reflexo direto da sazonalidade característica do período, marcada por um arrefecimento na demanda doméstica.
Dinâmica da oferta e enfraquecimento da demanda
A perda de fôlego nas compras por parte do varejo e dos consumidores finais tem exercido pressão sobre as cotações. Embora a oferta de aves esteja em patamares ajustados, com estimativas que apontam para um ritmo contido de abates, a redução no consumo interno supera a capacidade de sustentação dos preços no curto prazo.
Desempenho robusto das exportações
Enquanto o mercado interno enfrenta instabilidade, o setor externo mantém um ritmo de exportações bastante positivo. Dados da Secretaria de Comércio Exterior confirmam que o volume médio diário de embarques de carne de frango in natura permanece elevado, superando os números registrados tanto no mês anterior quanto no mesmo período do ano passado.
Essa força nas vendas internacionais atua como um mecanismo de equilíbrio para o setor. O escoamento constante da produção para outros países evita que a pressão vendedora no mercado doméstico resulte em quedas mais acentuadas nas cotações.
Perspectivas para o próximo mês
O cenário para maio permanece sob análise atenta dos agentes do setor, que se dividem entre o otimismo e a cautela. A expectativa de recuperação dos preços baseia-se na injeção de renda na economia, fator que historicamente impulsiona o poder de compra e estimula o consumo de proteínas.
Por outro lado, existe uma preocupação latente quanto ao limite de novos reajustes. Como o mercado acumulou altas significativas ao longo de abril, impulsionadas pelo repasse de custos de produção, a resistência do consumidor final pode restringir novas elevações nos preços nas próximas semanas.
Fonte: canalrural.com.br