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Escalada da violência digital silencia mulheres na mídia, alerta relatório

ONU Mulheres, TheNerve e parceiros indica que 12% das mulheres defensoras de dir
ONU Mulheres, TheNerve e parceiros indica que 12% das mulheres defensoras de dir

Um relatório recente, divulgado por ONU Mulheres, TheNerve e parceiros, revela um avanço preocupante da violência online direcionada a mulheres que atuam em espaços públicos, especialmente defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas, trabalhadoras da mídia e outras comunicadoras. O estudo detalha as diversas manifestações desse abuso, seus impactos devastadores na saúde mental e profissional das vítimas, e a persistência de lacunas na proteção legal, ao mesmo tempo em que a inteligência artificial emerge como um fator que intensifica o problema.

A pesquisa sublinha a natureza deliberada e coordenada de muitos desses ataques, que visam silenciar vozes femininas na esfera pública, minando sua credibilidade profissional e reputação pessoal. Os dados apontam para uma realidade onde a autocensura se torna uma estratégia de defesa, e a busca por reparação legal, embora crescente, ainda enfrenta barreiras significativas.

A escalada da violência digital e suas manifestações

O documento, intitulado Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA, traz à luz a prevalência de diferentes formas de abuso digital. Uma parcela significativa das entrevistadas, 12%, relatou ter vivenciado o compartilhamento não consensual de imagens pessoais, incluindo conteúdo íntimo ou sexual. Além disso, 6% das participantes foram vítimas de deepfakes, uma tecnologia que manipula imagens e vídeos de forma enganosa.

Ainda no ambiente digital, quase uma em cada três mulheres entrevistadas recebeu investidas sexuais não solicitadas por meio de mensagens. Essas manifestações de violência online criam um ambiente hostil que afeta diretamente a liberdade de expressão e a segurança das mulheres em suas atividades profissionais e pessoais.

O impacto profundo na saúde e na atuação profissional

A violência online tem consequências severas para a saúde e o bem-estar das mulheres. O relatório indica que 24,7% das mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade ou depressão diretamente relacionadas às experiências de abuso digital. Adicionalmente, quase 13% relataram um diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), evidenciando a profundidade do trauma causado.

Em resposta a essa realidade, muitas mulheres recorrem à autocensura. De acordo com o estudo, 41% de todas as respondentes afirmaram se autocensurar nas redes sociais para evitar abusos. No âmbito profissional, 19% relataram autocensura em seu trabalho como resultado da violência online. Entre mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia, dados de um período recente indicam que em 2025, 45% relataram autocensura nas redes sociais, um aumento de 50% desde 2020, e quase 22% relataram autocensura em seu trabalho.

A busca por justiça e as lacunas na proteção legal

Apesar do cenário desafiador, há um aumento na busca por responsabilização. O relatório aponta para um crescimento nas ações legais e nas denúncias às forças de segurança por parte das mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia. Em 2025, 22% dessas profissionais tinham a probabilidade de denunciar incidentes de violência online à polícia, um percentual que dobrou em relação a 2020, quando era de 11%.

Quase 14% das vítimas estão agora tomando medidas legais contra perpetradores, facilitadores ou seus empregadores, um aumento em comparação com os 8% registrados em 2020. Esse movimento reflete uma maior conscientização e uma pressão mais forte por justiça. Contudo, o estudo também destaca falhas na proteção legal, com menos de 40% dos países possuindo leis específicas para proteger mulheres contra assédio virtual ou perseguição virtual, deixando 1,8 bilhão de mulheres e meninas, ou 44% do total, sem acesso a essa proteção legal em todo o mundo. Para mais informações sobre o trabalho da ONU Mulheres, visite unwomen.org/pt.

O papel da inteligência artificial na amplificação do abuso

O estudo enfatiza que a inteligência artificial (IA) está tornando o abuso online mais fácil de ser perpetrado e mais danoso em seus efeitos. Essa tecnologia contribui para a erosão de direitos conquistados em um contexto global de retrocesso democrático e misoginia em rede. A urgência de garantir que sistemas, leis e plataformas respondam adequadamente a essa crise é um ponto crucial levantado pelo relatório, visando proteger as mulheres e garantir sua participação plena e segura na vida pública e digital.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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