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Hantavírus causa mortes em cruzeiro no Atlântico; entenda transmissão e surto global

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Reprodução Correiodecarajas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, em 3 de maio, ao menos três mortes associadas a um possível surto de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro no Atlântico. O incidente ocorreu no MV Hondius, que realizava uma viagem da Argentina para Cabo Verde, gerando preocupação e investigações detalhadas por parte das autoridades de saúde globais.

Um caso de hantavírus foi oficialmente confirmado, enquanto outros cinco casos suspeitos estão sob rigorosa investigação, incluindo a realização de testes laboratoriais adicionais. Este cenário reacende o debate sobre a vigilância epidemiológica em ambientes de grande circulação e a importância de compreender as características e riscos do hantavírus.

Entendendo o hantavírus: transmissão e características

O hantavírus é uma família de vírus transmitida principalmente por roedores. A infecção humana ocorre, em grande parte, pela inalação de partículas virais suspensas no ar, provenientes de fezes, urina ou saliva seca de animais infectados. Embora menos comum, a transmissão também pode ocorrer por meio de mordidas ou arranhões de roedores.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) destacam que o contato direto com esses animais ou seus dejetos é a principal via de contaminação. A prevenção, portanto, passa pela eliminação do contato com roedores em ambientes domésticos e de trabalho, além da adoção de medidas de higiene e vedação de possíveis pontos de entrada.

Sintomas e manifestações clínicas da hantavirose

As infecções por hantavírus podem levar a duas doenças graves. A primeira é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS), que geralmente se inicia com fadiga, febre e dores musculares, evoluindo para dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais. Quando os sintomas respiratórios se desenvolvem, a taxa de mortalidade pode ser significativa, conforme dados do CDC.

No Brasil, a doença se manifesta como a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que, nas Américas, pode variar de uma doença febril aguda inespecífica a quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos, podendo culminar na síndrome da angústia respiratória (SARA), segundo o Ministério da Saúde. A segunda doença mais comum globalmente é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), que afeta principalmente os rins e pode causar pressão arterial baixa, hemorragia interna e insuficiência renal aguda.

Panorama global e nacional dos casos de hantavírus

A incidência de hantavírus varia globalmente. Estima-se que ocorram 150 mil casos de HFRS anualmente em todo o mundo, com a maioria concentrada na Europa e Ásia, e mais da metade dos casos na China, de acordo com relatórios dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). Nos Estados Unidos, entre 1993 e 2023, foram registrados 890 casos.

No Brasil, o cenário também é de atenção. Entre 1993 e 2024, foram confirmados 2.377 casos de hantavirose (SCPH), resultando em 937 mortes no período. O Ministério da Saúde aponta que 70% dos pacientes brasileiros foram infectados em zonas rurais, ressaltando a importância da vigilância em áreas de maior exposição a roedores. O vírus Seoul, uma das principais cepas de hantavírus, é encontrado globalmente, inclusive nos EUA.

Abordagens de tratamento e medidas de prevenção

Atualmente, não existe um tratamento específico para infecções por hantavírus. O manejo da doença foca no tratamento dos sintomas e no suporte ao paciente. O CDC recomenda cuidados que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, uso de medicamentos antivirais e, em alguns casos, diálise. Pacientes com sintomas graves frequentemente necessitam de internação em unidades de terapia intensiva, podendo ser intubados.

A prevenção é a estratégia mais eficaz contra o hantavírus. Além de eliminar o contato com roedores, o CDC sugere vedar pontos de entrada em residências e locais de trabalho, como porões e sótãos. O uso de equipamentos de proteção individual é crucial ao limpar áreas com dejetos de roedores, a fim de evitar a inalação de ar contaminado e, consequentemente, a infecção. Para mais informações sobre o hantavírus, consulte o site do CDC.

Casos recentes e a relevância da vigilância epidemiológica

A gravidade do hantavírus foi evidenciada em fevereiro de 2025, com a morte de Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman, devido a uma doença respiratória relacionada ao vírus. Investigadores médicos acreditam que ela contraiu HPS, a cepa mais comum nos EUA, após a descoberta de ninhos e roedores mortos em anexos de sua residência. Registros policiais indicaram que Arakawa havia pesquisado sintomas de gripe e covid-19 nos dias anteriores ao seu falecimento, sublinhando a dificuldade no diagnóstico inicial.

Este caso, somado ao surto no cruzeiro, reforça a necessidade de uma vigilância epidemiológica constante e da conscientização pública sobre os riscos do hantavírus, especialmente em regiões com maior prevalência de roedores e em situações de aglomeração, como em navios de cruzeiro.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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