Condenação do ex-governador do Acre pelo STJ
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu, nesta quarta-feira, 6, uma sentença condenatória contra o ex-governador do Acre, Gladson Cameli. A decisão impõe uma pena de 25 anos e 9 meses de reclusão ao político, que responde por crimes como peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e dispensa indevida de licitação.
Além da pena privativa de liberdade, a condenação impõe ao ex-governador a inelegibilidade por um período de oito anos, conforme as diretrizes da Lei da Ficha Limpa. O julgamento, que contou com oito votos favoráveis à condenação, marca um desdobramento significativo nos processos que envolvem a gestão estadual acreana.
Desdobramentos da Operação Ptolomeu
A sentença é fruto das investigações conduzidas no âmbito da Operação Ptolomeu. Esta frente de apuração originou nove inquéritos distintos que investigam suspeitas de desvios de recursos públicos que, segundo as autoridades, somariam R$ 16 milhões. O caso central da denúncia aponta irregularidades em um contrato firmado em maio de 2019 pela Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Estado do Acre com a empresa Murano Construções.
O objeto do contrato era a manutenção de prédios públicos. Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, a empresa Murano Construções teria estabelecido uma parceria com a Rio Negro, administrada por Gledson Cameli, irmão do ex-governador. As investigações indicam que a Rio Negro teria recebido quase R$ 2 milhões logo após a formalização do contrato com o governo estadual.
Esquema de ocultação e propina
Para os investigadores, a manobra configurou um acerto para a contratação indireta da empresa ligada ao familiar do ex-governador, com o objetivo de ocultar a participação de partes interessadas e evitar a fiscalização dos órgãos de controle. A estrutura montada teria servido para camuflar o fluxo financeiro ilícito entre as empresas envolvidas.
Um dos pontos cruciais da acusação envolve a aquisição de um imóvel de luxo no bairro dos Jardins, em São Paulo, avaliado em R$ 6 milhões. A Polícia Federal identificou que o pagamento do apartamento foi realizado pela empresa do irmão do ex-governador após receber repasses de companhias que, por sua vez, haviam sido beneficiadas por contratos com o governo, totalizando mais de R$ 30 milhões em verbas públicas. Mais informações podem ser consultadas no portal stj.jus.br.
Impactos políticos e recursos
Embora a sentença ainda não tenha transitado em julgado, a condenação por um órgão colegiado é suficiente para aplicar as restrições da Lei da Ficha Limpa. O ex-governador, que renunciou ao cargo em abril para buscar uma vaga no Senado, encontra-se impedido de disputar o pleito, a menos que obtenha uma liminar na Justiça Eleitoral que suspenda os efeitos da decisão.
A defesa de Gladson Cameli tem mantido a postura de negar a prática de atos ilícitos durante sua gestão. O espaço para manifestação permanece aberto, conforme solicitado pela reportagem. Enquanto o processo segue para as instâncias recursais, o cenário político local aguarda os próximos capítulos de uma disputa jurídica que pode definir o futuro eleitoral do ex-gestor.
Fonte: oliberal.com