O mercado brasileiro de soja enfrentou um dia de estagnação nesta quarta-feira (6), com a atividade comercial praticamente paralisada em diversas regiões produtoras. A retração dos agentes reflete diretamente a forte desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), que pressionou as cotações locais e limitou as oportunidades de novos negócios.
Impacto da queda da soja em Chicago no cenário nacional
Segundo o analista Thiago Oleto, da Safras & Mercado, o cenário de incertezas externas afastou os compradores e manteve os produtores em posição de espera. Mesmo com uma leve melhora observada nos prêmios dos portos, o movimento não foi suficiente para impulsionar a liquidez, uma vez que o spread elevado continuou a dificultar a formação de preços atrativos para ambas as partes.
O produtor rural brasileiro mantém uma postura cautelosa, aguardando condições mais favoráveis para a comercialização de sua safra. A desvalorização externa, aliada a um câmbio que não ofereceu suporte suficiente, resultou em um ambiente de negócios travado, onde a cautela prevalece sobre a necessidade de venda imediata.
Pressão externa e incertezas geopolíticas
O desempenho negativo em Chicago foi impulsionado pela desvalorização dos preços do petróleo, motivada pela possibilidade de um acordo diplomático entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Esse fator macroeconômico gerou um efeito cascata que atingiu as commodities agrícolas, incluindo a soja.
Além do petróleo, o mercado monitora de perto as movimentações diplomáticas entre Donald Trump e Xi Jinping. A expectativa de um possível acordo comercial, que envolveria a compra de soja estadunidense pela China, é acompanhada por temores de novas tarifas retaliatórias, conforme apontado pela Associação Americana de Soja diante de investigações comerciais em curso.
Expectativas para o relatório do USDA
Os investidores também concentram suas atenções no próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Este documento é aguardado com expectativa por trazer as primeiras projeções oficiais para a temporada 2026/27, o que tem levado os traders a realizarem um reposicionamento estratégico de suas carteiras antes da divulgação dos dados.
No fechamento da sessão, os contratos futuros da soja com entrega em julho registraram queda de 16,75 centavos de dólar, cotados a 11,94 3/4 dólares por bushel. O vencimento em agosto também encerrou o dia em baixa, atingindo 11,89 dólares por bushel. O mercado de subprodutos acompanhou a tendência, com recuos tanto no farelo quanto no óleo de soja, refletindo a pressão vendedora generalizada no setor.
Fonte: canalrural.com.br