Durante uma recente visita ao interior do Rio Grande do Sul, o deputado estadual Eduardo Suplicy, de São Paulo, experimentou um chimarrão com cannabis medicinal, um momento que rapidamente ganhou destaque e gerou grande curiosidade nas redes sociais. A cena despertou o interesse público sobre a preparação e os propósitos por trás dessa combinação inovadora, que busca oferecer benefícios terapêuticos.
A iniciativa de preparar o chimarrão com cannabis partiu da Associação Flor da Cura, uma organização dedicada ao uso da cannabis medicinal na região noroeste do estado. A entidade tem como objetivo principal proporcionar acesso seguro à planta, acolhendo pacientes e até animais que necessitam de tratamentos específicos.
Apoio Terapêutico da Associação Flor da Cura
A Associação Flor da Cura, liderada por seu fundador e presidente, David Thomazi, acompanha atualmente cerca de 150 pacientes. Todos recebem orientação de profissionais da saúde, garantindo um uso responsável e seguro da cannabis. A organização nasceu da percepção de uma lacuna no acesso a tratamentos baseados na planta.
Os acompanhamentos terapêuticos da associação envolvem, em sua maioria, derivados da planta, como o óleo medicinal. Entre as condições que os pacientes buscam aliviar estão dor crônica, ansiedade, depressão, epilepsia e doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. A abordagem da associação foca na responsabilidade social e no bem-estar dos assistidos.
Elaboração do Chimarrão com Cannabis Medicinal
A ideia de incorporar a cannabis ao chimarrão surgiu naturalmente, a partir do hábito já estabelecido entre os membros da associação de preparar chás com a planta. Para criar a mistura utilizada na cuia, são empregadas diversas partes da planta, incluindo raízes, galhos, folhas e flores.
O material passa por um processo cuidadoso de secagem e trituração, até que sua textura se assemelhe à da erva-mate tradicional. Posteriormente, esse composto é integrado ao chimarrão. É importante ressaltar que o objetivo do preparo, conforme explicado pelo presidente da associação, não é induzir efeitos psicoativos. Em vez disso, a bebida visa proporcionar relaxamento, uma sensação de bem-estar e pode contribuir para um sono mais profundo.
Cultivo Sustentável e Conformidade Legal
A cannabis utilizada nas preparações da Associação Flor da Cura provém de cultivo próprio, uma prática adotada desde 2022. O plantio é realizado em um sistema agroflorestal, um modelo que integra diferentes espécies vegetais e busca minimizar os impactos ambientais.
Esse método de cultivo próprio assegura a sustentabilidade da produção e permite que a associação forneça aos seus pacientes um produto integralmente nacional. Além disso, garante um controle direto sobre todo o processo, desde o plantio até a preparação final. A associação afirma operar com respaldo jurídico e segue rigorosamente as normas sanitárias aplicáveis a entidades que trabalham com cannabis medicinal no Brasil.
Avanços e Perspectivas da Cannabis Medicinal
A ampla repercussão do chimarrão com cannabis medicinal reflete um momento de crescente abertura para discussões sobre o uso terapêutico da planta. A curiosidade e o interesse demonstrados pelo público contribuem significativamente para a quebra de preconceitos arraigados.
Nos últimos anos, a procura por informações sobre cannabis medicinal tem aumentado consideravelmente, inclusive entre produtores rurais. Embora haja um interesse evidente por parte desses produtores, o avanço nesse setor ainda depende de progressos significativos na regulamentação.
No cenário internacional, o Uruguai se destaca como pioneiro. Desde 2017, o país vizinho já comercializa erva-mate com cannabis sem efeitos psicoativos, ou seja, sem a presença de THC (tetraidrocanabinol). Marcas como Abuelita, Consentina e BioMate são exemplos desses produtos. A produção e venda de cannabis foram descriminalizadas no Uruguai em 2013, pavimentando o caminho para essas inovações.
Para mais informações sobre a regulamentação da cannabis medicinal no Brasil, consulte o site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): Anvisa.
Fonte: globorural.globo.com