O funk brasileiro consolidou sua posição como o gênero musical de crescimento mais acelerado no cenário global, conforme revelado pelo mais recente relatório divulgado pelo Spotify. O levantamento destaca uma transformação significativa no consumo de música, com o Brasil alcançando, pela primeira vez, a marca de oitavo maior mercado fonográfico do mundo, segundo dados da IFPI.
Ascensão do funk brasileiro e impacto do idioma
O sucesso do ritmo nacional reflete uma tendência de internacionalização da cultura brasileira. Entre os gêneros que movimentam cifras superiores a US$ 100 milhões na plataforma, o funk registrou um avanço expressivo de 36% no último ano. Esse fenômeno é acompanhado pelo crescimento do português como um dos idiomas musicais com maior aceleração dentro do ecossistema do streaming.
A receita gerada por obras em língua portuguesa apresentou um salto de 26% em apenas um ano, acumulando uma alta de 51% no biênio. Esse desempenho reforça a relevância do Brasil como um polo criativo capaz de transpor fronteiras geográficas e culturais, atraindo ouvintes em diversos continentes.
Economia do streaming e remuneração de artistas
O relatório também buscou esclarecer dúvidas sobre o modelo de negócios da plataforma, abordando críticas recorrentes sobre a remuneração. O Spotify reiterou que não existe um valor fixo por reprodução individual, explicando que a distribuição de receitas é baseada na participação proporcional de cada obra no total de streams.
A empresa enfatizou que os pagamentos são direcionados aos detentores de direitos autorais e fonográficos, como gravadoras e distribuidoras, que ficam responsáveis pelo repasse aos músicos. Paralelamente, o setor independente vive um momento de prosperidade no país, com o número de artistas brasileiros que faturaram mais de R$ 1 milhão crescendo 24% no último ano.
Combate a fraudes e o papel da tecnologia
A integridade do mercado é uma das prioridades da companhia, que mantém um combate rigoroso contra os chamados streams falsos. Essas reproduções manipuladas por bots distorcem algoritmos e desviam receitas, resultando em medidas punitivas que incluem a remoção de músicas e a suspensão de perfis envolvidos em práticas artificiais.
Sobre o uso de inteligência artificial, a posição da plataforma é de cautela e abertura. Segundo Carolina Alzuguir, head de Música do Spotify Brasil, a tecnologia é vista como uma ferramenta de apoio ao processo criativo. A empresa defende que, desde que haja participação humana, o uso de IA pode ser positivo na produção, mixagem e composição musical.
Fonte: correiodecarajas.com.br