O senador Ciro Nogueira (PP-PI) utilizou suas redes sociais nesta terça-feira para rebater as recentes investigações conduzidas pela Polícia Federal. O parlamentar negou categoricamente ter apresentado uma emenda legislativa sob encomenda do banqueiro Daniel Vorcaro, classificando as alegações como um “roteiro de ficção” criado em meio ao período eleitoral.
A controvérsia gira em torno da chamada “emenda Master”, que visava alterar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo as autoridades, o texto teria sido redigido pela assessoria do Banco Master e submetido ao Senado pelo parlamentar, beneficiando diretamente os interesses da instituição financeira.
Defesa sobre a emenda e o sistema financeiro
Em sua manifestação, o senador contestou a versão de que o texto foi protocolado na íntegra conforme recebido. Ciro Nogueira argumentou que o FGC é um fundo privado e criticou a defasagem no valor da cobertura, que permanece inalterada há 13 anos.
O parlamentar anunciou a intenção de reapresentar a proposta com valores corrigidos, sugerindo que o limite de proteção aos correntistas deveria superar R$ 840 mil. Ele questionou a resistência dos grandes bancos à medida, sugerindo que a manutenção do teto atual de R$ 250 mil favorece a concentração bancária no país.
Esclarecimentos sobre transações financeiras
Além da questão legislativa, o senador abordou as suspeitas de recebimento de valores ilícitos, que, segundo a Polícia Federal, chegariam a R$ 300 mil mensais, podendo atingir R$ 500 mil. Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade e justificou os depósitos em empresas de sua família.
Ele detalhou que as movimentações financeiras referem-se a uma rede de concessionárias de motocicletas com faturamento anual expressivo. Segundo o parlamentar, a entrada de recursos em espécie é uma prática comum no setor, estando devidamente registrada em contabilidade e disponível para auditorias.
Desdobramentos da operação Compliance Zero
As investigações fazem parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes no Banco Master. A Polícia Federal aponta indícios de que o mandato parlamentar foi instrumentalizado para atender demandas específicas do banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os pontos levantados pelos investigadores estão o custeio de despesas pessoais, como estadias em hotéis de luxo em Nova York e o uso de cartões de crédito vinculados ao banqueiro. O caso ganhou novos contornos nesta segunda-feira (11), com a mudança na equipe de defesa do senador, que passou a ser conduzida pelo advogado Conrado Gontijo, substituindo o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.
Para mais detalhes sobre o andamento das investigações, consulte a cobertura oficial da Jovem Pan.
Fonte: jovempan.com.br