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Pecuária brasileira: boi gordo registra queda de preços em São Paulo

José Florentino/Globo Rural
José Florentino/Globo Rural

O mercado pecuário brasileiro registrou um cenário de desvalorização em importantes praças nesta semana, com destaque para a queda nos preços do boi gordo em São Paulo. A dinâmica de oferta e demanda, aliada a fatores climáticos e incertezas no comércio internacional, tem moldado o comportamento dos frigoríficos e dos produtores rurais. Este movimento de recuo nas cotações reflete uma maior disponibilidade de animais para abate, impactando diretamente a rentabilidade do setor.

Desvalorização em praças estratégicas

Nesta terça-feira, 12 de maio, o mercado de boi gordo observou quedas significativas, conforme apontado pela Scot Consultoria. Em regiões paulistas de referência como Araçatuba e Barretos, os preços do boi gordo e do “boi China” apresentaram um recuo de R$ 2 na comparação diária. As cotações se estabeleceram em R$ 353 e R$ 358 por arroba, respectivamente.

A tendência de baixa não se limitou a São Paulo. Outras doze regiões do país também registraram recuos nos preços do boi gordo, enquanto dezessete mantiveram estabilidade. Apenas o sudeste de Rondônia e Roraima apresentaram valorizações no período, indicando uma pressão generalizada sobre os preços na maior parte do território nacional.

Fatores por trás da pressão sobre a pecuária

Apesar de uma melhora nas vendas de carne no mercado interno em relação à semana anterior e do bom desempenho das exportações, a oferta de gado continuou em crescimento. O volume disponível de animais se mostrou suficiente para atender à demanda dos frigoríficos, sem a formação de excedentes que pudessem sustentar os preços. Este cenário resultou em escalas de abate mais alongadas e confortáveis para as indústrias.

Diante da maior oferta, os frigoríficos intensificaram a pressão nas ofertas de compra, buscando adquirir animais a preços mais baixos. Curiosamente, essa estratégia não afastou a ponta vendedora. Produtores, possivelmente influenciados por um clima mais adverso, mantiveram-se ativos nas negociações e demonstraram aceitação das condições de mercado vigentes, contribuindo para a consolidação das quedas.

Incertezas no cenário internacional da carne

O mercado pecuário também tem sido influenciado por notícias conflitantes no âmbito internacional. O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, destacou a lentidão nos negócios de boi gordo ao longo da semana, com persistentes tentativas de compra em patamares de preço mais baixos. Uma das principais preocupações é o anúncio da União Europeia, que, a partir de setembro, poderá suspender a compra de produtos de origem animal do Brasil devido a incertezas relacionadas ao uso de antimicrobianos. A expectativa é que o Brasil consiga regularizar as pendências documentais para evitar essa suspensão.

Paralelamente, nos Estados Unidos, houve um aparente recuo do presidente Donald Trump em relação à redução de tarifas para a importação de carne bovina. Essa decisão teria sido motivada pelo descontentamento de grupos de pecuaristas americanos, adicionando mais um elemento de instabilidade ao panorama das exportações brasileiras de carne. Para mais informações sobre o setor agropecuário, consulte fontes como a Embrapa.

Desempenho comparativo das categorias de gado

Uma análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) comparou a evolução dos preços dos principais elos do mercado pecuário ao longo de 2026. De janeiro até 11 de maio daquele ano, o bezerro liderou as valorizações no segmento, com um avanço estimado em 11,6%. A carcaça casada seguiu com alta de 11,49%, o boi gordo com 9,43% e o boi magro com 5,85%. Esses dados refletem uma expectativa de sustentação nos preços ao longo do ciclo produtivo para as categorias mais jovens.

No entanto, o comportamento do mercado no curto prazo, especificamente em maio, indicou movimentos mais pressionados. O boi magro registrou queda de 3,88%, e o boi gordo, de 1,45%. O bezerro, por sua vez, apresentou estabilidade com tendência positiva (0,40%), enquanto a carcaça casada teve uma leve queda de 0,47%. Os valores atuais da arroba reforçam as diferenças entre as categorias, com o bezerro sendo negociado próximo de R$ 495 por arroba, destacando sua resiliência em um mercado de baixa.

Fonte: globorural.globo.com

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