O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou nesta quinta-feira (14) que os recursos aportados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse foram destinados integralmente ao fundo de financiamento do projeto. O parlamentar rebateu especulações de que o montante, que totalizou 61 milhões de reais, teria sido utilizado para custear despesas pessoais de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos.
Financiamento cinematográfico e gestão de recursos
Segundo o senador, a estrutura do fundo foi organizada nos Estados Unidos sob a gestão de um advogado de confiança de Eduardo Bolsonaro. O profissional, que também atuou no processo migratório do irmão, teria sido contratado para cuidar das questões legais e burocráticas necessárias para a viabilização da obra audiovisual. Flávio Bolsonaro enfatizou que a participação do jurista na administração do fundo é uma medida técnica e condizente com a complexidade do projeto.
O parlamentar justificou a confidencialidade em torno de sua relação com Daniel Vorcaro, citando a existência de um contrato de sigilo. Ele afirmou que seus contatos com o banqueiro, revelados recentemente pelo Intercept Brasil, restringiram-se exclusivamente a discussões sobre o filme. O senador negou ter conhecimento prévio sobre as atividades criminosas atribuídas ao dono do Banco Master à época em que iniciou as tratativas.
Desdobramentos da Operação Compliance Zero
Enquanto o debate político se intensifica, a Polícia Federal avança na sexta fase da Operação Compliance Zero. A ação apura a existência de uma organização criminosa que teria infiltrado agentes para obter informações sigilosas. Entre os alvos está a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, afastada de suas funções por suspeita de fornecer dados estratégicos ao grupo ligado a Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro.
A investigação aponta que a delegada teria acessado indevidamente o sistema e-Pol para monitorar inquéritos em curso. A defesa de Valéria Vieira Pereira da Silva e de seu marido, Francisco José Pereira da Silva, nega as irregularidades. Os advogados argumentam que o sistema da corporação possui controles de acesso restritos, o que tornaria inviável a consulta não autorizada por servidores sem vinculação direta com as investigações específicas.
Críticas ao sistema judiciário e cenário político
Em paralelo às investigações, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) utilizou o espaço do podcast Direto de Brasília para criticar a atual composição do Supremo Tribunal Federal. O parlamentar defendeu uma reforma no modelo de escolha dos ministros, classificando o sistema vigente como desmoralizado. Para Girão, a rejeição de indicações recentes pelo Senado reflete um desejo da sociedade por uma corte mais independente e técnica.
Fonte: blogdomagno.com.br