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Desafios do trigo no Brasil: produção em baixa e pressões sobre o custo do pão francês

Globo Rural
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A produção de trigo no Brasil enfrenta um cenário de retração significativa, com projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicando uma queda de 19% na safra de 2026. A estimativa, divulgada na última quinta-feira (14/5), aponta para um volume de 6,3 milhões de toneladas, um declínio impulsionado principalmente pela redução da área plantada e por incertezas climáticas. Essa conjuntura levanta preocupações sobre os custos de produtos essenciais derivados do cereal, como pães, massas e biscoitos, e os potenciais impactos no bolso do consumidor.

Os fatores que contribuem para essa diminuição na oferta interna são múltiplos e complexos, abrangendo desde as condições meteorológicas até as pressões econômicas sobre os produtores. A indústria e os especialistas do setor já analisam as consequências e buscam estratégias para mitigar os repasses de custos, embora o cenário global e as políticas tributárias adicionem camadas de complexidade à equação.

Projeção de safra e os fatores por trás da retração

A Conab estima que a safra de trigo brasileira encolherá 18,9%, totalizando 6,3 milhões de toneladas. Essa retração é atribuída, em grande parte, a uma diminuição de 12,5% na área plantada, que deve alcançar 2,1 milhões de hectares. Além da redução de área, a produtividade também deve sofrer um recuo de 7,3%, contribuindo para o volume menor.

O economista da FGV Agro, Felippe Serigati, destaca que as incertezas climáticas e o aumento dos custos de produção são elementos cruciais para essa dinâmica. A safra de inverno, que inclui o trigo, é particularmente vulnerável a essas pressões, especialmente no que tange aos fertilizantes. A perspectiva de um fenômeno El Niño no segundo semestre, por exemplo, pode trazer chuvas em períodos desfavoráveis à cultura, impactando diretamente a produtividade e o potencial produtivo do cereal, conforme ponderou Fabiano Vasconcellos, gerente de acompanhamento de safras da Conab.

Abastecimento garantido, mas custos em ascensão

Apesar da expectativa de menor produção nacional, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, assegura que o abastecimento interno não deve ser comprometido. Segundo ele, o Brasil tem a capacidade de recorrer ao mercado externo para suprir a demanda, dada a oferta disponível de trigo internacionalmente. No entanto, a principal preocupação da indústria reside nos custos de importação, que têm sido pressionados por uma série de fatores.

Entre os elementos que elevam o custo da matéria-prima para os moinhos, Barbosa menciona a retomada da cobrança de PIS e Cofins sobre o trigo importado, resultado da Lei Complementar nº 224/2025. Adicionalmente, a alta nos preços do petróleo, do frete e do seguro também contribuem para o encarecimento. Outro desafio é a qualidade do trigo argentino, tradicionalmente o principal fornecedor do Brasil, que tem obrigado o país a buscar produtos em mercados alternativos como Estados Unidos, Canadá e Rússia, que oferecem um trigo de melhor padrão.

A indústria e o desafio de conter o impacto no pão francês

Diante do cenário de custos crescentes, a indústria do trigo já implementa medidas de racionalização para tentar mitigar os impactos e evitar repasses integrais ao consumidor final. Contudo, à medida que novas compras de trigo forem realizadas a preços mais elevados, a tendência é que esses custos se reflitam no valor da farinha e, consequentemente, nos produtos derivados, como o pão francês.

Felippe Serigati ressalta que o preço final dos derivados do trigo não depende exclusivamente da safra brasileira. Fatores como o custo dos combustíveis, que afeta a distribuição, e o mercado internacional, onde o trigo é uma commodity com preço formado globalmente, exercem uma pressão significativa. Esses elementos podem influenciar os preços mesmo antes da colheita no Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já registrou uma alta de 1,52% no preço do pão francês no acumulado do ano, sinalizando a sensibilidade do setor às variações de custo.

A semeadura da safra atual já progrediu em cerca de 17%, com lavouras em início de floração em regiões como Goiás. O monitoramento contínuo das condições climáticas e do mercado global será crucial para entender a evolução dos preços e a capacidade da indústria de absorver os desafios sem impactar excessivamente o consumidor.

Para mais informações sobre as projeções de safra, consulte o site oficial da Conab.

Fonte: globorural.globo.com

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