A produção do longa-metragem Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, tornou-se alvo de graves acusações por parte de trabalhadores do setor audiovisual. Profissionais que integraram a equipe durante as filmagens realizadas no ano anterior relataram um ambiente de trabalho marcado por assédio moral, agressões físicas e condições precárias, gerando um dossiê formalizado pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado do São Paulo (Sated-SP).
bolsonaro: cenário e impactos
Relatos de precariedade e tratamento desigual no set
Segundo o documento elaborado pelo Sated-SP, os problemas enfrentados pela equipe brasileira começavam logo na chegada ao local de gravação. Relatos indicam que figurantes eram submetidos a revistas íntimas descritas como truculentas e humilhantes por parte da equipe de segurança. A situação de tensão culminou, em um dos casos, no registro de um boletim de ocorrência por um profissional que alega ter sofrido agressão física direta.
Além das questões de segurança, os trabalhadores denunciaram uma clara segregação entre a equipe estrangeira e a brasileira. Enquanto profissionais norte-americanos desfrutavam de alimentação variada e estrutura de serviço completa, a figuração nacional recebia apenas kits de lanche, mesmo em jornadas de trabalho que ultrapassavam oito horas diárias. Há relatos, inclusive, de fornecimento de alimentos em condições impróprias para consumo.
Discrepâncias salariais e descumprimento de normas
O aspecto financeiro também é um ponto central das reclamações. De acordo com os profissionais, os valores pagos pela produtora Go Up Entertainment estavam significativamente abaixo dos pisos convencionados pelo sindicato da categoria. Enquanto o valor de referência para figurantes é de R$ 227,14, a produção oferecia R$ 100, dos quais ainda eram descontados R$ 10 referentes ao transporte em vans.
A produtora, com sede na Califórnia, foi procurada para prestar esclarecimentos sobre as denúncias, mas informou por meio de sua assessoria que não poderia responder de imediato devido ao volume de demandas. O filme, que conta com o ator Jim Caviezel no papel principal, enfrenta agora um escrutínio que vai além do ambiente de trabalho, envolvendo também questionamentos sobre o financiamento da obra.
Investigações e conexões políticas
O projeto está sob os holofotes devido a revelações recentes do site The Intercept Brasil, que divulgou gravações indicando pedidos de recursos feitos pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro. O montante total acordado para a produção teria atingido R$ 134 milhões. Embora o filho do ex-presidente tenha confirmado o pedido de verba, ele negou a oferta ou recebimento de vantagens indevidas.
A produtora nega categoricamente que o longa tenha recebido aportes de fontes brasileiras, sejam públicas ou privadas, refutando qualquer repasse financeiro por parte de Daniel Vorcaro. O caso segue gerando repercussão, especialmente após a prisão recente de envolvidos em esquemas de monitoramento ilegal ligados ao mesmo núcleo financeiro, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo.
Fonte: blogdomagno.com.br