Cacau do Pará registra leve recuperação de preços em meio a desafios do mercado nacional
O mercado de cacau brasileiro atravessa um período de instabilidade, pressionado principalmente pelos impactos das importações de frutos vindos do continente africano. No entanto, produtores do Pará observaram uma sutil melhora nas cotações durante a segunda quinzena de maio, sinalizando uma possível reação frente aos desafios enfrentados pelo setor nos últimos meses.
Valorização regional e o cenário das cotações
Em municípios estratégicos como Tucumã e São Félix do Xingu, o valor do fruto apresentou um desempenho superior à média estadual. Segundo dados da Coopertuc e da Camppax, o quilo do cacau foi comercializado por R$ 14 nesta segunda-feira (18). Esse movimento é acompanhado de perto por produtores que buscam a recomposição de margens após um período de desvalorização acentuada.
Comparativamente, a cotação média estadual no Pará situou-se em R$ 13,80 por quilo. Enquanto isso, em outras regiões produtoras, a arroba na Bahia foi cotada a R$ 210, e a saca de 60 kg no Espírito Santo alcançou R$ 840, refletindo as disparidades regionais na precificação da commodity.
Produção paraense e o compromisso com a rastreabilidade
O Pará consolida sua posição como o maior produtor nacional, sendo responsável por mais de 51% da produção brasileira. Com uma base de mais de 34 mil produtores, o estado se destaca pela implementação de um sistema rigoroso de rastreabilidade, conforme informações da Sedap. Essa iniciativa visa assegurar ao mercado internacional que o fruto possui origem certificada, livre de desmatamento ilegal e de práticas laborais inadequadas.
Expectativas e medidas governamentais
Apesar das promessas do Governo Federal e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que há cerca de três meses discutiram estratégias para a valorização do setor, os resultados práticos ainda são tímidos. Entre as medidas debatidas estavam a revisão do regime de “drawback” e a suspensão temporária de importações da Costa do Marfim, visando proteger a produção interna.
O setor aguarda agora que a nova legislação sobre percentuais mínimos de cacau na composição de chocolates possa impulsionar a demanda doméstica. Historicamente, o cacau paraense já atingiu patamares de preço significativamente mais altos, chegando a picos de R$ 65 por quilo, um contraste expressivo com a realidade atual onde o valor tem dificuldade em superar a marca de R$ 15.
Para acompanhar os desdobramentos do mercado, produtores e interessados podem consultar fontes especializadas como o Mercado do Cacau.
Fonte: fatoregional.com.br