O Partido Liberal (PL) protocolou um pedido de impugnação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o registro e a divulgação de uma pesquisa realizada pela AtlasIntel. A ação, movida na segunda-feira (18), questiona os resultados que indicam o senador Flávio Bolsonaro (PL) em desvantagem em uma eventual disputa eleitoral. A legenda argumenta que a metodologia do questionário foi elaborada de forma a induzir os entrevistados, configurando uma suposta manipulação contra o filho do ex-presidente. Uma liminar urgente para suspender a divulgação dos resultados foi concedida na terça-feira (19).
A controvérsia central gira em torno da integridade do processo de coleta de dados e da formulação das perguntas, elementos cruciais para a credibilidade de qualquer levantamento de opinião pública. O PL sustenta que a estrutura da pesquisa não se limitou a medir o sentimento do eleitorado, mas, ao contrário, teria criado um contexto desfavorável ao senador, transformando-a em um veículo de propaganda negativa.
Ação do PL questiona metodologia de pesquisa eleitoral
O documento apresentado pelo Partido Liberal ao TSE detalha que, das 48 perguntas contidas no questionário da AtlasIntel, pelo menos oito seriam indutoras. Essas questões estariam diretamente relacionadas ao suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master, temas que, segundo o partido, foram abordados de maneira a influenciar a percepção dos entrevistados.
A sigla argumenta que essa sequência de perguntas não reflete a opinião espontânea do eleitor, mas sim “produz contexto”, o que desvirtuaria o propósito de uma pesquisa eleitoral. O PL fundamenta sua contestação em literatura científica e jurisprudência do próprio TSE e de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), indicando que a ordem das perguntas pode alterar significativamente os resultados, com variações de até 20 pontos percentuais.
Alegações de indução e propaganda negativa
A principal tese do Partido Liberal é que a pesquisa da AtlasIntel transcendeu a função de mero termômetro da opinião pública, agindo como um instrumento para moldá-la artificialmente. A legenda descreve a situação como um risco de “indução do eleitorado em duas camadas”: uma durante a própria entrevista, pela forma como as perguntas são encadeadas, e outra perante o público em geral, que receberia os resultados como se fossem neutros e imparciais.
Essa abordagem, conforme o PL, configuraria uma “propaganda negativa indireta”, utilizando a roupagem de um estudo científico para influenciar o processo eleitoral. A preocupação reside na potencial distorção da percepção dos eleitores e na violação dos princípios de isonomia e transparência que regem as campanhas.
Demandas do Partido Liberal ao Tribunal Superior Eleitoral
Além da suspensão imediata da divulgação da pesquisa, já concedida, o Partido Liberal apresentou uma série de requerimentos ao Tribunal Superior Eleitoral. As demandas visam garantir a transparência e a fiscalização da metodologia utilizada, bem como aplicar sanções caso as irregularidades sejam confirmadas.
- Acesso integral ao controle da AtlasIntel, incluindo microdados anonimizados, logs de aplicação, arquivos de áudio completos e o plano amostral, com prazo de 24 horas para entrega.
- Aplicação de multa por pesquisa irregular e, subsidiariamente, por divulgação de pesquisa fraudulenta, no valor máximo de R$ 106.410,00.
- Proibição definitiva da divulgação dos resultados de perguntas específicas (9, 10, 11, 12 a 19, 22, 25 e 48) ou, alternativamente, a obrigatoriedade de incluir uma ressalva clara sobre a contaminação metodológica.
A defesa da AtlasIntel frente às acusações
Em resposta às acusações do PL, a assessoria da AtlasIntel se manifestou, esclarecendo a metodologia empregada. A empresa afirmou que o teste de áudio, que envolvia a gravação da conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, foi realizado em um momento e interface completamente distintos da pesquisa principal.
Segundo a AtlasIntel, o teste de áudio ocorreu somente após a conclusão e submissão do questionário pelo entrevistado, sem qualquer possibilidade de interferência nas respostas já fornecidas. A empresa reiterou que, durante o questionário, apenas perguntou se o respondente tinha conhecimento sobre o caso e se já havia ouvido o áudio por conta própria, sem reproduzir o conteúdo em nenhum momento. A AtlasIntel assegura que todo o desenho do questionário e da dinâmica foi elaborado com rigor técnico e metodológico, prezando pela imparcialidade e qualidade dos dados em nível internacional.
Fonte: jovempan.com.br