O julgamento do caso Henry Borel, que apura a morte do menino de quatro anos em 2021, no Rio de Janeiro, avançou para seu quarto dia com a apresentação de depoimentos cruciais que trouxeram à tona novas acusações de violência. As sessões foram marcadas por relatos impactantes de outras supostas vítimas do réu, Jairinho, ex-vereador e um dos acusados pela morte da criança, adicionando uma camada de complexidade e gravidade ao processo judicial.
As testemunhas detalharam episódios de agressão física e psicológica que teriam ocorrido em relacionamentos anteriores de Jairinho, ecoando, em alguns aspectos, as circunstâncias que levaram à trágica morte de Henry. A revelação desses padrões de comportamento tem sido um ponto central na narrativa da acusação, buscando estabelecer um histórico de conduta violenta por parte do réu.
Relatos de agressões de Kaylane de Oliveira durante o julgamento
Um dos depoimentos mais aguardados foi o da estudante Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos, que testemunhou acompanhada de sua mãe, Natasha de Oliveira Machado. Kaylane narrou ter sofrido diversas agressões de Jairinho quando ainda era criança, durante o período em que ele se relacionava com sua mãe. As violências incluíam socos, torções e até mesmo episódios de afundamento em uma piscina, além de violência psicológica.
A estudante relatou que as agressões não deixavam marcas visíveis, e que Jairinho a orientava a não contar sobre os incidentes à sua mãe. Ela só conseguiu expor o que viveu após a separação do casal. O trauma foi tão profundo que Kaylane desenvolveu uma forte reação emocional, chegando a vomitar ao ver o carro do ex-vereador se aproximando. Por anos, ela evitou reviver as lembranças dolorosas.
Natasha de Oliveira Machado corroborou a ausência de marcas de lesões na filha e afirmou que, desde que soube dos abusos, cortou todo o contato com Jairinho. Mãe e filha decidiram procurar Leniel Borel, pai de Henry, para compartilhar seus relatos, o que demonstra a conexão entre os casos e a busca por justiça.
Outras denúncias de violência contra ex-companheira e filho
Na sequência, outra ex-namorada de Jairinho prestou depoimento, ampliando o quadro de acusações. Ela descreveu a violência do ex-vereador contra um de seus filhos, que era criança na época, resultando inclusive em uma fratura no fêmur. Além disso, a testemunha relatou ter sido vítima de agressões diretas por parte do réu, mencionando um episódio em que foi dopada, estuprada e abandonada em um quarto.
A pedido de Kaylane e da ex-namorada, Jairinho não esteve presente no plenário do júri durante seus respectivos testemunhos, uma medida que visa preservar as vítimas de um contato direto com o acusado. Monique Medeiros, mãe de Henry e corréu no processo, acompanhou o depoimento de Kaylane.
Detalhes do atendimento médico de Henry Borel
A sessão também incluiu o depoimento da médica Maria Cristina de Souza Azevedo, que estava de plantão no hospital onde Henry Borel foi atendido no dia de sua morte. Durante mais de três horas, a profissional esclareceu os procedimentos de socorro e o estado de saúde do menino ao chegar à emergência.
A médica afirmou que Henry foi imediatamente socorrido, mas já chegou ao hospital sem pulso e tecnicamente morto. Ela descreveu a presença de hematomas e marcas arroxeadas em diversas regiões do corpo da criança, informações cruciais para a investigação das causas da morte.
Incidentes e retornos no plenário do julgamento
O quarto dia do julgamento também teve um incidente com a retirada de uma advogada, Selma Blum, do plenário. A profissional foi acusada de tentar observar anotações dos jurados, o que é um procedimento ilegal. Selma Blum, que acompanhava o júri sem participação formal na defesa, negou a acusação.
Houve ainda o retorno de Fabiano Lopes, defensor de Jairinho, que havia se ausentado das sessões anteriores após sofrer um infarto. Sua presença marca a retomada completa da defesa no processo, que segue em andamento, buscando esclarecer as circunstâncias da morte de Henry Borel e a responsabilidade dos acusados.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br