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Impacto ambiental da guerra em Gaza intensifica crise climática e humanitária

Choques climáticos empurram sistemas frágeis de Gaza para o colapso, alerta especialista
Choques climáticos empurram sistemas frágeis de Gaza para o colapso, alerta especialista

A guerra entre Israel e Gaza gerou um rastro de destruição que vai além das perdas imediatas, atingindo o equilíbrio ambiental global. Uma investigação conduzida pela Queen Mary University of London estima que o conflito já resultou na emissão de aproximadamente 33 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e). Esse volume é comparável às emissões anuais de um país como a Jordânia ou ao impacto de 7,6 milhões de automóveis a gasolina circulando simultaneamente.

Emissões militares e o custo da reconstrução

O estudo, publicado na revista científica One Earth, detalha que apenas as operações militares ativas — incluindo o uso de artilharia e foguetes — foram responsáveis por mais de 1,3 milhão de toneladas de CO₂e. Contudo, o impacto total é amplificado por uma vasta pegada de carbono associada à construção de infraestruturas defensivas e, futuramente, pela reconstrução necessária de estradas, edifícios e redes essenciais danificadas pelos bombardeios.

Especialistas defendem que a falta de transparência sobre as emissões militares impede uma contabilização precisa dos fatores que impulsionam o aquecimento global. O investigador Frederick Otu-Larbi, da Universidade de Lancaster e da University of Energy and Natural Resources, ressalta que integrar esses dados é fundamental para que o impacto climático dos conflitos deixe de ser ignorado pela comunidade internacional.

Vulnerabilidade climática em cenários de conflito

Enquanto o conflito contribui para o agravamento das mudanças climáticas, o aquecimento global atua como um multiplicador de crises em Gaza. No verão passado, temperaturas acima de 40 ºC elevaram drasticamente o risco de desidratação e comprometeram reservas alimentares. A população, já fragilizada pelo deslocamento forçado e pela escassez de energia, encontra-se sem proteção adequada contra o calor extremo, uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta uma probabilidade de 91% de que pelo menos um dos próximos cinco anos supere o limiar de 1,5 ºC de aquecimento. Esse cenário traz chuvas mais intensas e concentradas, que em março transformaram ruas em lagos estagnados, danificando abrigos de mais de 3 000 deslocados. Segundo a UNICEF, a exposição ao frio e à umidade extrema já resultou na morte de crianças por hipotermia.

Saúde pública sob pressão extrema

O colapso dos sistemas de saneamento e a destruição de infraestruturas de água potável criam um ambiente propício para a propagação de doenças. O gabinete das Nações Unidas para a coordenação da ajuda humanitária, o OCHA, estima que cerca de 800 000 pessoas vivem atualmente em zonas sujeitas a inundações. A sobrelotação e o acúmulo de lixo, somados à falta de saneamento, facilitam a disseminação de hepatite A, infecções cutâneas e doenças diarreicas.

Asif Hussain, diretor executivo da SKT Welfare, alerta que a combinação de conflito e mudanças climáticas não é um fenômeno isolado, afetando também regiões como o Iémen e o Paquistão. O especialista enfatiza que a adaptação climática deve ser integrada de forma sistêmica à resposta de emergência. A organização defende investimentos urgentes em sistemas de água resilientes, vigilância epidemiológica e tecnologias de energia sustentável, como a solar, para mitigar os riscos à saúde pública em áreas de alta vulnerabilidade.

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