O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passará por uma mudança significativa em sua política de inclusão a partir da edição de 2026. Pela primeira vez, candidatos diagnosticados com transtorno de ansiedade ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) terão o direito de contar com um acompanhante autorizado durante os dias de aplicação das provas. A medida, oficializada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), visa garantir condições mais equitativas para estudantes que enfrentam desafios emocionais severos.
Além dos quadros de ansiedade e TOC, o edital contempla participantes com fibromialgia, uma síndrome crônica que causa dor generalizada, fadiga intensa e dificuldades de concentração. Esta ampliação reflete um movimento contínuo de adaptação do exame às necessidades específicas dos estudantes brasileiros, assegurando que barreiras de saúde não impeçam o acesso ao ensino superior.
Protocolos para suporte emocional e assistência
A presença do acompanhante será estritamente regulamentada para manter a integridade do exame. Segundo o Inep, o suporte ficará alocado em uma sala reservada, sob monitoramento constante de fiscais. O profissional poderá ser acionado em momentos críticos, oferecendo acolhimento necessário para a estabilização emocional do candidato durante o processo avaliativo.
O espaço também será destinado a profissionais que auxiliam participantes em necessidades básicas, como locomoção até o banheiro ou auxílio na alimentação. Para usufruir deste recurso, o candidato deve apresentar documentação comprobatória, como laudos médicos, no momento da solicitação oficial do atendimento especializado.
Expansão da política de acessibilidade
A estratégia de inclusão do Enem abrange um espectro amplo de condições, incluindo deficiências, gestação, lactação e internação hospitalar. O sistema de atendimento especializado exige solicitação prévia, respeitando os prazos e critérios estabelecidos no edital. O exame já disponibiliza recursos como provas ampliadas, videoprovas em Libras, guias-intérpretes e tempo adicional para garantir a autonomia dos participantes.
Historicamente, o exame consolidou-se como pioneiro em acessibilidade, sendo um dos primeiros a implementar a prova em Braille. Desde 2020, o sistema tátil foi aprimorado para permitir também a escrita e a correção da redação, beneficiando diretamente candidatos cegos ou com baixa visão.
Crescimento expressivo na demanda por suporte
Os dados do Inep revelam uma procura crescente por recursos de acessibilidade nas últimas edições. Entre 2022 e 2025, o número de participantes que utilizaram algum tipo de atendimento especializado saltou de 30.856 para 89.770. Esse aumento de 191% demonstra a relevância das políticas de inclusão para a democratização do acesso à educação no país.
Fonte: correiodecarajas.com.br