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Ministério Público investiga fast-food por suposta remoção de patrimônio histórico em Belém

Por
Reprodução Portalofato

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades em uma intervenção realizada por um restaurante de fast-food na Avenida Nazaré, em Belém. A apuração, conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e Cultural, Habitação e Urbanismo da capital, foca na suposta retirada de elementos históricos de uma área tombada.

A controvérsia gira em torno da remoção de calçadas de cantaria e pedras de lioz no entorno do Largo da Memória, também conhecido como Largo do Redondo. Esses elementos são parte integrante de um conjunto reconhecido e protegido como patrimônio histórico estadual, o que levanta sérias questões sobre a legalidade e o impacto da obra.

Inquérito Civil Apura Intervenção em Área Tombada

A formalização do inquérito civil, sob a responsabilidade do promotor de Justiça Benedito Wilson Corrêa de Sá, teve origem na Notícia de Fato nº 01.2026.00020199-1. Este procedimento investigativo busca esclarecer as circunstâncias da intervenção e determinar a extensão de quaisquer danos causados ao patrimônio cultural da cidade. A ação do MPPA reflete a importância atribuída à preservação de bens históricos e culturais, garantindo que qualquer alteração em áreas protegidas siga rigorosos padrões legais e de conservação.

A instauração do inquérito civil é uma ferramenta fundamental do Ministério Público para proteger direitos difusos e coletivos, como o direito ao patrimônio histórico. Ao abrir a investigação, o órgão busca reunir provas, ouvir as partes envolvidas e, se necessário, propor medidas corretivas ou sanções para os responsáveis por eventuais ilegalidades. Para mais informações sobre as ações do Ministério Público, pode-se consultar o site oficial do MPPA.

Detalhes do Patrimônio Afetado e Sua Proteção Legal

As pedras de lioz e as calçadas de cantaria são elementos arquitetônicos de grande valor histórico, frequentemente associados a construções e espaços urbanos antigos. No contexto de Belém, esses materiais e a forma como foram empregados no Largo da Memória representam um testemunho da arquitetura e do urbanismo de épocas passadas. A Secretaria de Estado de Cultura (Secult), por meio do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (DPHAC), protege esses elementos desde 1982, conferindo-lhes o status de bens tombados.

O tombamento é um ato administrativo que reconhece o valor cultural de um bem, submetendo-o a um regime jurídico especial de proteção. Isso significa que qualquer intervenção em uma área tombada ou em seus elementos constitutivos deve ser previamente autorizada pelos órgãos competentes, garantindo que a integridade e o caráter histórico do local sejam preservados. A suposta remoção sem a devida autorização configura uma infração grave às normas de proteção ao patrimônio.

Denúncia Pública Impulsiona Ação do MPPA

O caso ganhou visibilidade e impulsionou a ação do Ministério Público após uma denúncia feita nas redes sociais. O historiador Michel Pinho divulgou um vídeo que apontava a suposta remoção irregular das pedras históricas, chamando a atenção para a situação. A repercussão da denúncia pública demonstra o papel crescente da sociedade civil e das mídias digitais na fiscalização e proteção do patrimônio cultural.

A participação ativa de cidadãos e especialistas, como historiadores, é crucial para identificar e reportar potenciais ameaças a bens tombados. A mobilização social, ao dar voz a essas preocupações, pode catalisar a atuação de órgãos fiscalizadores e garantir que as devidas providências sejam tomadas para a salvaguarda de elementos que contam a história e a identidade de uma comunidade.

Medidas Iniciais e o Roteiro da Investigação

Como parte das primeiras diligências, a Promotoria de Justiça notificou o estabelecimento comercial envolvido para que apresente esclarecimentos detalhados sobre a intervenção no prazo de 48 horas. Paralelamente, foi encaminhado um ofício à Divisão Especializada em Meio Ambiente e Proteção Animal (Demapa) da Polícia Civil, solicitando a adoção das providências investigativas cabíveis no âmbito criminal, se for o caso.

O MPPA também determinou a realização de uma vistoria técnica pelo Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (GATI). O objetivo dessa vistoria é avaliar a extensão dos danos eventualmente causados ao patrimônio histórico e verificar a viabilidade de recomposição da área afetada, buscando soluções para mitigar os impactos. Além disso, um ofício foi enviado à Procuradoria-Geral do Município de Belém para verificar se a obra possuía o necessário licenciamento municipal. Caso haja autorização, a Promotoria requisitou o encaminhamento integral do processo administrativo correspondente.

A investigação prossegue em andamento, com o objetivo de apurar a regularidade da obra e identificar possíveis responsabilidades pelos danos ao patrimônio histórico protegido. Os resultados dessas apurações serão cruciais para determinar as próximas ações legais e garantir a reparação, se for o caso, dos bens culturais afetados.

Fonte: portalofato.com.br

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