A nova conclusão sobre a morte de Juscelino Kubitschek
A Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, aprovou um relatório que altera o entendimento histórico sobre o falecimento do ex-presidente Juscelino Kubitschek. O documento conclui que o político foi assassinado pelo regime militar em 1976, refutando a tese oficial de que ele teria sido vítima de um acidente automobilístico na via Dutra.
A decisão foi tomada com 6 votos favoráveis e uma abstenção. O relatório, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, determina que a certidão de óbito do ex-presidente seja retificada. A nova causa da morte deverá constar como não natural e violenta, decorrente de perseguição sistemática do Estado brasileiro contra dissidentes políticos.
Contexto histórico e a falha na versão oficial
O acidente, ocorrido em 22 de agosto de 1976, vitimou Juscelino Kubitschek e seu motorista, Geraldo Ribeiro. Por décadas, investigações conduzidas durante a ditadura e ratificadas por comissões posteriores sustentaram que o veículo de JK foi atingido por um ônibus, perdendo o controle. No entanto, o novo parecer aponta 37 indícios de fraude na apuração original, incluindo a ausência de exames toxicológicos e o desaparecimento de fotografias consideradas chocantes.
O relatório da CEMDP compila trabalhos realizados entre 2013 e 2021 pelo Ministério Público Federal (MPF). Embora o inquérito anterior tenha considerado impossível descartar ou confirmar um atentado por falta de elementos materiais, a relatora utilizou a teoria jurídica do in dubio pro victima para fundamentar a responsabilidade do Estado. O documento também sugere um pedido de desculpas a Josias Nunes de Oliveira, motorista do ônibus que foi injustamente responsabilizado pelo episódio.
Indícios de perseguição e operações secretas
A investigação coordenada por Maria Cecília Adão destaca elementos que reforçam a tese de atentado político. Entre os pontos levantados estão relatos de ameaças diretas contra JK, menções à Operação Condor e à chamada Operação Código 12, que teria como objetivo camuflar execuções políticas sob a aparência de acidentes de trânsito.
O documento ressalta que o ex-presidente já havia sido alertado sobre riscos à sua integridade física. Informações coletadas pela comissão indicam que, duas semanas antes da tragédia, já circulavam boatos de que o ex-presidente teria sido morto na mesma rodovia onde o fato ocorreu. A conclusão da comissão busca, portanto, o esclarecimento da verdade histórica sobre um dos episódios mais controversos da política brasileira.
Para mais detalhes sobre o trabalho da comissão, consulte a fonte oficial em Folha de S. Paulo.
Fonte: blogdomagno.com.br