No Dia Mundial da Criança, um estudo aprofundado da Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da Pordata, lançou luz sobre a evolução demográfica da população infantil na União Europeia. Os dados revelam um cenário desafiador para Portugal, que se posiciona como o segundo país do bloco com a maior diminuição no número de crianças ao longo dos últimos 50 anos.
Esta análise detalhada sublinha uma tendência preocupante que impacta diretamente o futuro demográfico e social do país. A redução expressiva da população infantil em Portugal contrasta com a situação de outras nações europeias, levantando questões sobre fatores socioeconômicos e políticas públicas.
O panorama da população infantil em Portugal e na UE
Portugal figura entre os países da União Europeia com a menor proporção de crianças, tendo experimentado uma das quedas mais acentuadas na sua população infantil nas últimas cinco décadas. O país registou uma diminuição de 12,1 pontos percentuais, ficando apenas atrás da Espanha em termos de retração demográfica nesta faixa etária.
Em 1975, Portugal ocupava a segunda posição na UE com a maior percentagem de crianças, representando 22% da sua população total. Contudo, em 2025, essa proporção caiu para 9,8%, colocando o país como o quarto com a menor percentagem de população infantil no bloco. Atualmente, 1 milhão e 58 mil crianças vivem em Portugal, num universo de 50,6 milhões de crianças na UE.
A Itália apresenta a menor proporção de crianças no bloco, com 9,1%, enquanto Irlanda (14,2%), Suécia (13,2%) e França (12,8%) destacam-se com as percentagens mais elevadas de população infantil. Estes contrastes evidenciam a diversidade dos desafios demográficos enfrentados pelos estados-membros.
Variações regionais e estrutura familiar
Apesar da tendência nacional de declínio, alguns municípios portugueses conseguem contrariar esta realidade. Localidades como Aljezur, Lisboa, Montijo e Vila Velha de Ródão observaram um aumento na proporção de crianças até aos 10 anos, indicando focos de crescimento demográfico localizados.
Em contrapartida, municípios como Câmara de Lobos, Ribeira Grande e Porto Moniz registaram as maiores quedas no número de crianças. Em 2024, a percentagem de crianças com menos de 10 anos nos 308 municípios de Portugal variava significativamente, oscilando entre 3,6% em Almeida e 11,1% na Ribeira Grande.
No que diz respeito à estrutura familiar, os dados indicam que, em Portugal, 69% das crianças vivem com um casal, num total de 793 mil agregados familiares com pelo menos uma criança menor de 12 anos. Esta proporção é superior à da Estónia, onde mais crianças vivem em famílias monoparentais, mas inferior à da Suécia, que lidera com 85% das crianças a viver com um casal.
Carga horária escolar e educação formal
As crianças portuguesas destacam-se na União Europeia pela quantidade de horas dedicadas à educação formal. Entre os 6 e os 11 anos, as crianças em Portugal passam uma média de 38 horas por semana na escola, um valor consideravelmente acima da média da UE, que é de 31,5 horas semanais.
Para as crianças até aos três anos, a carga horária nos estabelecimentos de ensino é ligeiramente inferior, totalizando 36,7 horas por semana. A Hungria é o único país do bloco onde as crianças têm uma carga horária média superior à de Portugal, enquanto Alemanha, Irlanda e Países Baixos apresentam médias semanais inferiores a 30 horas em ambos os grupos etários.
Em 2025, quase 58% das crianças portuguesas até aos três anos estavam integradas em algum tipo de educação formal, seja em creches ou com amas certificadas. Este índice coloca Portugal entre os países da UE com maior cobertura de educação e cuidados para a primeira infância, refletindo um investimento significativo nesta fase crucial do desenvolvimento.
Para mais informações sobre dados demográficos em Portugal e na União Europeia, consulte a Pordata.