Capacitação profissional transforma produção de cacau em renda no Médio Xingu
O aroma do chocolate artesanal marca uma nova fase para 16 mulheres da região do Médio Xingu, no Pará. Por meio de uma iniciativa de capacitação técnica, produtoras locais estão aprendendo a transformar a amêndoa de cacau em barras de chocolate, agregando valor ao produto que antes era comercializado apenas como matéria-prima bruta. O projeto, realizado em Altamira, busca reverter a lógica comercial da região, que detém mais de 80% da produção cacaueira do estado.
A formação é uma realização da Norte Energia, concessionária da Usina Belo Monte, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O treinamento é voltado para integrantes do Instituto Amazônia – Coletivo de Mulheres Artesãs e Filhas do Xingu, organização que promove o fortalecimento feminino e o suporte a mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Técnicas avançadas e valorização da cadeia produtiva
O curso, com carga horária de 40 horas, abrange desde o manejo correto do fruto no campo até a extração da manteiga de cacau. Esse processo é considerado o diferencial da formação, permitindo que as participantes alcancem um produto final de maior valor agregado. A instrução técnica detalha etapas como a fermentação e os cuidados necessários para garantir a qualidade sensorial do chocolate.
Para as participantes, o aprendizado representa uma mudança de perspectiva sobre o próprio negócio. Produtoras que antes vendiam apenas a semente agora vislumbram a criação de marcas próprias. A iniciativa também reforça a autonomia financeira, permitindo que as famílias que cultivam o cacau em pequena escala capturem uma fatia maior do lucro final da cadeia produtiva.
Rede de apoio e protagonismo feminino
O impacto do projeto vai além da técnica culinária, atuando diretamente na autoestima e no empoderamento das mulheres da região. A estrutura oferecida pelo programa Belo Monte Comunidade, que inclui alimentação e suporte logístico, foi fundamental para garantir a participação de mulheres vindas de áreas rurais distantes. A presidente do instituto, Josimeire Rodrigues, ressalta que esse suporte de base é essencial para evitar a desistência das alunas.
O gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia, Thomás Sottili, destaca que o curso se integra a um ecossistema de ações voltadas ao empreendedorismo sustentável. Atualmente, a empresa já apoia seis marcas de chocolate indígenas e outras duas iniciativas surgidas através do programa Belo Monte Empreende. O objetivo é consolidar o protagonismo das comunidades locais no mercado de chocolate amazônico.
Contexto histórico e impacto regional
A região do Médio Xingu possui uma vocação natural para a cacaucultura, e a valorização desse saber local é uma estratégia central para o desenvolvimento econômico sustentável. O uso de amêndoas de produtoras locais, como a indígena Katyana Xipaya, serve como exemplo de sucesso para as novas empreendedoras. A iniciativa busca fortalecer a identidade do chocolate da região, que já conquista reconhecimento nacional e internacional.
O programa Belo Monte Comunidade atua desde outubro de 2019, promovendo cidadania e capacitação profissional. Paralelamente, a Usina Belo Monte, que completou 10 anos de operação, mantém sua relevância no sistema elétrico nacional. A hidrelétrica é responsável por gerar até 16% da energia consumida no Brasil durante os horários de pico, operando com baixas emissões de gases de efeito estufa no bioma amazônico.
Fonte: avozdoxingu.com.br