Confronto de teses no tribunal
O décimo dia de julgamento do caso Henry Borel, realizado nesta quarta-feira (3), foi marcado pela apresentação das sustentações orais da acusação e da defesa. O processo, que busca esclarecer a morte do menino ocorrida em 2021 no Rio de Janeiro, entrou em uma fase decisiva com a exposição detalhada de provas, depoimentos e evidências acumuladas ao longo da instrução processual.
Os réus, Dr. Jairinho e Monique Medeiros, mantêm a alegação de inocência. Enquanto a defesa sustenta a tese de um acidente doméstico, o Ministério Público e a assistência de acusação argumentam que a criança foi vítima de uma série de agressões fatais. O desfecho do caso, que comoveu a opinião pública, aguarda a decisão dos jurados, prevista para ocorrer até esta quinta-feira.
Argumentos da acusação e qualificadoras
Durante três horas de exposição, o Ministério Público detalhou os fundamentos que sustentam o pedido de condenação dos réus. A acusação imputa a Jairinho e Monique crimes de homicídio qualificado por meio cruel e que impossibilitou a defesa da vítima, além de tortura e coação no curso do processo. O agravante de a vítima ser menor de 14 anos foi um ponto central na argumentação jurídica apresentada.
O promotor de justiça Fábio Vieira traçou perfis psicológicos dos acusados durante sua fala. Ele descreveu o ex-vereador como um indivíduo de comportamento psicopata e cruel contra crianças, enquanto caracterizou a mãe da criança como narcisista. Segundo a acusação, o réu utilizava seu poder político e econômico para criar laços de dependência e exercer controle sobre as mulheres com quem se relacionava.
Defesas buscam absolvição dos réus
A estratégia da defesa de Monique Medeiros focou na ausência de conhecimento da ré sobre as supostas agressões cometidas pelo companheiro. Os advogados argumentaram que a mãe de Henry foi induzida ao erro e que a babá da criança teria omitido episódios de violência praticados pelo padrasto. A defesa negou categoricamente que o relacionamento entre o casal fosse motivado por interesses financeiros ou pela busca de um estilo de vida luxuoso.
Por outro lado, os advogados de Dr. Jairinho sustentaram a inexistência de provas robustas contra o cliente. A defesa levantou a hipótese de que a criança poderia ter sofrido lesões prévias antes de ser entregue aos cuidados do casal. Além disso, reforçaram a tese de que o réu nunca agrediu o menino, classificando as marcas relatadas como decorrentes de brincadeiras infantis, conforme reportado pela Agência Brasil.
Expectativa pela sentença final
O encerramento dos debates abre caminho para a votação dos jurados. Caso o veredito seja pela condenação, os réus deverão sair do plenário diretamente para o cumprimento da pena. Embora a legislação brasileira permita recursos em situações específicas, como alegações de erro ou injustiça na dosimetria da pena, o encerramento deste ciclo processual representa um marco importante para a justiça no caso que teve início em 8 de março de 2021.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br