PUBLICIDADE

Irã utiliza perfis falsos escoceses e irlandeses para manipular opinião pública online

se como sendo da Escócia, Inglaterra e Irlanda @Clemson University Media Forensics Hub
Reprodução Euronews

Uma complexa operação de influência digital, supostamente ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã, utilizou perfis falsos em redes sociais para manipular a opinião pública, fazendo-se passar por cidadãos escoceses e irlandeses. A estratégia envolvia a construção de credibilidade online através da partilha de conteúdo local, antes de redirecionar o discurso para a difusão de propaganda pró-iraniana, conforme revelado por investigadores.

Esta tática de engano permitiu que as contas angariassem seguidores e se integrassem em conversas políticas autênticas em plataformas como X, Instagram e Bluesky. A mudança para a agenda iraniana ocorreu após o início de um conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, marcando uma escalada nas campanhas de desinformação.

A Estratégia Iraniana de Manipulação Digital

Investigadores do Media Forensics Hub da Universidade de Clemson, na Carolina do Sul, identificaram uma rede de contas que, inicialmente, publicava fotografias de paisagens pitorescas da Escócia e defendia a independência do Reino Unido, criticando o governo britânico. Estas contas, no entanto, estavam secretamente ligadas ao IRGC, uma unidade paramilitar de elite frequentemente acusada de conduzir operações de influência em território estrangeiro.

A analista de influência digital Ella Murray, da Universidade de Clemson, explicou à equipa de verificação de factos da Euronews, O Cubo, que a transição foi abrupta. “Depois de a guerra começar, mudaram completamente para a publicação de vídeos pró-Irão sobre ataques iranianos a inimigos do país, como Israel, e a outros locais como a Arábia Saudita”, afirmou Murray. A consistência no material e nas hashtags publicadas em várias contas facilitou a identificação da rede.

Da Paisagem Escocesa à Propaganda Pró-Irã

Antes da escalada da violência, os perfis passaram anos a angariar seguidores e a publicar conteúdo com um viés anti-Labour, anti-União, anti-Starmer e anti-Família Real. As contas escocesas, em particular, apoiavam ativamente os movimentos pró-independência da Escócia, criando uma base de apoio e interação genuína com cidadãos locais.

O conteúdo de propaganda incluía publicações que glorificavam o falecido aiatolá Ali Khamenei, bem como imagens geradas por inteligência artificial que alegadamente mostravam a destruição de bases militares norte-americanas. Mensagens criticando o antigo presidente dos EUA Donald Trump e o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu eram frequentes, assim como publicações que destacavam a morte de crianças e civis no Irã.

Táticas de Engano e Identificação de Perfis Falsos

Muitos dos perfis falsos se apresentavam como mulheres, utilizando imagens roubadas ou geradas por inteligência artificial para criar uma persona convincente. Um dos indícios cruciais da fraude foi a descoberta de um caráter em farsi inserido por engano no início de uma hashtag em uma publicação de uma conta que se dizia britânica, sugerindo que o operador alternava entre teclados em persa e inglês.

Ella Murray salientou que “havia escoceses e irlandeses reais a interagir com estas contas”, indicando o sucesso da rede em integrar-se em conversas políticas locais antes de alterar a sua mensagem para uma agenda pró-iraniana. Foram identificados dois subconjuntos de contas em inglês: um grupo que afirmava ser da Escócia e da Inglaterra, e outro da Irlanda e da Irlanda do Norte.

Expansão Global e Resposta Coordenada Contra a Rede

A operação de influência não se limitou ao Reino Unido e à Irlanda. Perfis que publicavam em espanhol e se identificavam como sendo do Texas, Califórnia, Venezuela e Chile também faziam parte de uma rede semelhante. Estes perfis apresentavam-se como ativistas progressistas, imigrantes ou simpatizantes de Nicolás Maduro, da Venezuela, e criticavam a agência norte-americana de Imigração e Controlo Aduaneiro (ICE), aproveitando eventos virais como os protestos em Minneapolis após a morte a tiro de Renée Good por um agente do ICE.

Em paralelo, a Europol, agência de aplicação da lei da União Europeia, anunciou em maio o encerramento de milhares de contas ligadas ao IRGC em 19 países, entre fevereiro e abril. Esta ofensiva digital foi impulsionada pela classificação formal do IRGC como organização terrorista em 19 de fevereiro, o que forneceu às autoridades uma base legal para atacar a sua infraestrutura online. A Europol também visou a principal conta do IRGC no X, que havia acumulado mais de 150.000 seguidores, cujas publicações combinavam referências ao martírio religioso com mensagens políticas pró-iranianas e apelavam aos utilizadores online para vingarem a morte do aiatolá Ali Khamenei. Acesse mais informações sobre notícias internacionais aqui.

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE