Em um cenário global marcado por tensões comerciais e a ascensão de políticas protecionistas, o vice-presidente Geraldo Alckmin reassume um papel central na articulação da estratégia brasileira para o comércio exterior. Sua experiência anterior no enfrentamento de barreiras tarifárias é vista como um ativo valioso para o governo, que busca fortalecer o multilateralismo e diversificar parcerias em um ambiente de crescente incerteza econômica.
A movimentação ocorre em um momento crucial, com o Brasil avançando em acordos comerciais e buscando consolidar sua posição no mercado internacional. A capacidade de navegar por complexas negociações e de mobilizar o setor produtivo será fundamental para proteger os interesses nacionais diante dos desafios impostos pelas dinâmicas globais de comércio.
Fortalecimento do Multilateralismo e Novas Parcerias Comerciais
O Brasil tem intensificado seus esforços para solidificar acordos comerciais, visando expandir o acesso a mercados e reduzir dependências. Após a conclusão do acordo com a União Europeia, o Senado Federal ainda tem em sua pauta a análise de importantes pactos do Mercosul com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), que engloba Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
Esses acordos, focados na eliminação de tarifas, são estratégicos para alavancar novos mercados e reforçar a agenda de multilateralismo que o Brasil defende. Essa abordagem contrasta com a postura protecionista de grandes economias, como os Estados Unidos, que historicamente apoiaram o multilateralismo, mas agora reagem à sua própria perda de relevância global.
Reorientação Comercial e a Ascensão da China
A crescente pressão tarifária, que dificulta negócios com parceiros tradicionais, tem impulsionado o Brasil a intensificar suas relações com outras potências econômicas. Desde 2009, a China superou os Estados Unidos como o principal parceiro comercial do Brasil, um movimento que se aprofunda em diversas áreas, incluindo o agronegócio.
Um exemplo notável dessa aproximação é o recente reconhecimento da China ao Brasil como país livre de febre aftosa, abrindo novas portas para a exportação de carne. Além disso, o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) firmou uma parceria com a Tianjin Meet Association para o projeto piloto do selo Beef on Track (BoT) na cidade portuária de Tianjin. Essa certificação internacional garante carne sem desmatamento e com respeito a normas socioambientais, demonstrando o avanço brasileiro em práticas sustentáveis e a busca por mercados exigentes.
Alckmin no Centro da Estratégia de Defesa Comercial
A busca por alternativas comerciais e a defesa contra medidas protecionistas não são recentes, mas ganharam novo ímpeto com a atuação de Geraldo Alckmin, tanto em seu período como ministro da Indústria e Comércio quanto agora como vice-presidente. Ele foi um dos principais articuladores na negociação do primeiro “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, e agora está novamente a postos para exercer esse papel, mesmo após ter entregue a pasta da Indústria e Comércio para seu ex-secretário-executivo, Márcio Elias Rosa.
O governo avalia que a experiência adquirida no primeiro embate tarifário aprimorou suas ferramentas de negociação e defesa. Alckmin lidará com essas novas capacidades, incluindo a possibilidade de reciprocidade, amparada por uma lei aprovada no Congresso com relatoria da senadora Tereza Cristina.
Engajamento Empresarial e Mecanismos de Proteção
Um dos pilares da estratégia de Alckmin reside em sua forte relação com o setor produtivo. No primeiro “tarifaço”, um dos grandes ganhos, segundo o governo, foi a forma como ele soube aproveitar as soluções e o conhecimento surgidos do próprio meio empresarial. Mesmo nos momentos mais críticos, uma lista com mais de 700 exceções de produtos brasileiros, como o café, não foi sobretaxada pelos Estados Unidos, demonstrando a eficácia de um diálogo contínuo.
Além disso, a experiência anterior impulsionou a criação de instrumentos de defesa privados, permitindo que empresas brasileiras, que antes não possuíam representação legal nos EUA para defender seus interesses, agora contem com escritórios de advocacia especializados. O incentivo à organização do setor privado, repetido por Alckmin em reuniões, surtiu efeito, mostrando que a legislação dos Estados Unidos, um país que valoriza contratos e segurança jurídica, pode ser um obstáculo para retaliações açodadas. Para mais informações sobre comércio exterior, visite o Ministério das Relações Exteriores.
Fonte: blogdomagno.com.br