Berlim foi palco de um encontro crucial para a segurança do continente, onde líderes militares, representantes de startups e formuladores de políticas se reuniram para debater o futuro da defesa europeia. Realizada no antigo aeroporto de Tempelhof, a Cimeira de Defesa da Nova Era (New Age Defence Summit) teve como foco principal as lições extraídas do conflito na Ucrânia e a rápida evolução das tecnologias militares, especialmente os drones.
O evento buscou responder a uma questão central: a Europa está aprendendo com a experiência ucraniana com a rapidez necessária? A discussão não se limitou às novas tecnologias, mas aprofundou-se na forma como a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia está remodelando as estratégias e o desenvolvimento de capacidades de defesa no continente.
Lições da Ucrânia impulsionam inovação em defesa
A experiência ucraniana tem sido um catalisador para a inovação no setor de defesa europeu. Segundo Bastian Ernst, presidente da associação de reservistas e deputado da CDU, o aprendizado com os parceiros ucranianos, que pagam um preço tão doloroso, é inestimável. Esse processo de aprendizagem não é apenas uma questão política, mas também um guia para a modernização das Forças Armadas europeias.
Essa dinâmica transformou o cenário da inovação em defesa. Enquanto no passado a vanguarda tecnológica era dominada por grandes conglomerados de armamento, hoje, jovens empresas de tecnologia desempenham um papel cada vez mais vital. Muitas dessas startups são fundadas por ex-militares, desenvolvendo sistemas que respondem diretamente às necessidades e experiências dos conflitos contemporâneos.
Drones: de ferramenta de nicho a elemento central da guerra
A cimeira destacou a ascensão meteórica dos drones no campo de batalha. Em poucos anos, esses veículos aéreos não tripulados deixaram de ser ferramentas especializadas para se tornarem um componente indispensável na condução da guerra. Eles são empregados em diversas funções, desde reconhecimento e aquisição de alvos até guerra eletrônica e ataques diretos.
A experiência da Ucrânia serve como um referencial crítico para a modernização das Forças Armadas europeias. A percepção de que “a ameaça já está aqui”, conforme enfatizado por Raimond Kaljulaid, deputado estónio e presidente do grupo de trabalho parlamentar de apoio à indústria de defesa, reforça a urgência de adaptação e investimento em novas capacidades.
Ameaças crescentes e a urgência da prontidão europeia
O cenário de segurança na Europa tem sido marcado por incidentes recentes, como o abate de um drone sobre o leste da Letônia por caças franceses, após o aparelho entrar no espaço aéreo letão vindo da Rússia. Este episódio, atribuído à guerra eletrônica russa, soma-se a uma série de ocorrências nos Estados bálticos, incluindo a Estônia.
Alertas sobre a capacidade russa de atacar um membro da OTAN dentro de poucos anos foram reiterados por figuras como o chefe do Estado-Maior da Bundeswehr, Carsten Breuer, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Contudo, Kaljulaid argumenta que o debate sobre datas específicas (2029 ou 2030) é redutor, pois a Rússia já possui forças armadas significativas e representa uma ameaça contínua através de atos de sabotagem e ataques híbridos. A questão primordial, para ele, é se a Europa está pronta.
Investimento e colaboração para fortalecer a dissuasão
Em resposta às crescentes ameaças, países como a Estônia têm demonstrado um compromisso notável com o aumento dos investimentos em defesa. O país báltico elevou seus gastos para cerca de 3,4% do PIB em 2025, com projeção de alcançar 5,4% a partir de 2026, tornando-se um dos maiores investidores em defesa da OTAN. Este aumento orçamentário visa não apenas criar novas capacidades militares, mas também fomentar empresas tecnológicas nacionais.
A diretora-geral do New Age Defence Summit, Kateryna Mykhalko, defendeu uma integração mais profunda das experiências militares e empresariais ucranianas nas estratégias de defesa europeias. Ela destacou a colaboração entre empresas concorrentes, como a Quantum Systems, Helsing e ARX, que se uniram no evento para convencer governos e instituições europeias da necessidade de novas tecnologias. Mykhalko resumiu a sinergia necessária: “Na Ucrânia, temos a experiência; na União Europeia, têm os recursos”. A Europa, portanto, precisa investir mais e agir com maior celeridade para fortalecer sua dissuasão e evitar que a Rússia sequer considere um ataque. Para mais informações sobre segurança europeia, visite o site da OTAN.