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Os dados, discutidos no programa Ponto de Vista por Laísa Dall’Agnol e Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, sugerem que o tema das tarifas americanas se consolidou como um ponto de desgaste político para o senador. A pesquisa aponta que a discussão sobre a sobretaxação tende a permanecer relevante no cenário político, com potenciais reflexos eleitorais nas próximas semanas.
A pesquisa Genial/Quaest investigou a opinião dos entrevistados sobre quem detém a razão no embate entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro a respeito das novas tarifas americanas. Os resultados mostram que 47% dos eleitores concordam com a posição do presidente, que responsabiliza o senador pela ameaça de sobretaxação dos produtos brasileiros. Em contraste, 35% dos entrevistados apoiam a versão de Flávio Bolsonaro, segundo a qual ele teria atuado junto ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar evitar a imposição das medidas.
Em um recorte adicional, 46% dos participantes da pesquisa alinham-se com a visão de Lula de que as tarifas representam uma retaliação dos Estados Unidos ao Brasil. Por outro lado, 36% endossam a narrativa defendida pelo senador, que sugere que o verdadeiro alvo da medida seria o governo petista. Esses números surgem após a viagem de Flávio Bolsonaro e de seu irmão, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, aos Estados Unidos, onde ambos mantiveram agendas ligadas ao entorno político de Trump.
Na análise de Guilherme Russo, a discussão em torno das tarifas possui um forte potencial de permanência no debate público. Isso se deve à sua associação com temas de grande sensibilidade para os brasileiros, como a soberania nacional e a economia do país. A percepção predominante captada pela pesquisa é que as tarifas representam um problema gerado pelos Estados Unidos, e que a imagem de Donald Trump permanece fortemente vinculada à família Bolsonaro.
A ligação entre Trump e os irmãos Bolsonaro é um fator crucial, conforme apontado por Russo. Ele destacou que a população associa o ex-presidente americano, e por extensão a família Bolsonaro, à criação de um problema para o Brasil. Essa conexão direta contribui para o desgaste político do senador, especialmente em um contexto de medidas comerciais que afetam a economia nacional.
Um elemento adicional que intensifica a disputa é a inclusão do Pix entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a investigação comercial contra o Brasil. O sistema de pagamentos instantâneos, desenvolvido pelo Banco Central, é amplamente aceito e visto como um motivo de orgulho nacional entre os brasileiros. Sua menção no contexto das tarifas eleva a sensibilidade do debate.
Para o diretor da Quaest, a discussão sobre o Pix tende a ampliar a associação negativa entre Flávio Bolsonaro e a crise comercial. A popularidade e o reconhecimento do Pix como uma inovação brasileira fazem com que qualquer crítica ou ameaça a ele, vinda dos Estados Unidos, seja percebida como um ataque aos interesses nacionais, reforçando a narrativa de que o senador está do lado oposto a esses interesses.
Os resultados da pesquisa indicam que o governo Lula conseguiu consolidar sua narrativa de defesa da soberania nacional. A estratégia de associar o presidente à proteção dos interesses brasileiros diante de medidas consideradas hostis por parte dos Estados Unidos já havia demonstrado eficácia em embates anteriores com Donald Trump e se repete agora com sucesso.
A permanência do tema das tarifas na agenda pública tende a beneficiar o presidente, reforçando seu discurso de defesa do Brasil contra medidas injustas. Ao mesmo tempo, dificulta os esforços de Flávio Bolsonaro para desvincular sua imagem da crise comercial. Embora a eleição de 2026 ainda esteja distante, a Quaest sugere que a aproximação entre Flávio e Trump, inicialmente vista como um ativo eleitoral, passou a gerar custos políticos significativos após o anúncio das novas tarifas, enquanto o governo Lula capitaliza sobre o discurso de soberania nacional.
Fonte: veja.abril.com.br
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