O setor produtivo brasileiro enfrenta um novo desafio em sua busca por eficiência operacional. Após um período de quedas consecutivas nos preços da energia livre, o país registrou uma perda de R$ 9,3 bilhões em competitividade energética no intervalo de um ano, conforme aponta uma nota técnica divulgada pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC).
O levantamento, elaborado para o Observatório do Custo Brasil, evidencia como a oscilação nos preços da eletricidade impacta diretamente a estrutura de custos das empresas nacionais. A reversão da trajetória de queda, que vinha sendo observada desde 2021, coloca em alerta especialistas sobre a necessidade de políticas que sustentem a redução de encargos no setor elétrico.
A dinâmica dos preços e a perda de eficiência
Entre 2021 e 2023, o mercado de energia livre viveu um ciclo de alívio nos custos, com o valor médio do megawatt-hora (MWh) caindo de R$ 441,7 para R$ 354,9. Esse movimento permitiu que o país alcançasse uma economia potencial crescente, que atingiu o pico de R$ 113,7 bilhões em 2023.
Contudo, o cenário mudou em 2024, quando o preço médio do MWh subiu para R$ 438,5. Essa elevação interrompeu o ganho de competitividade, resultando em uma economia potencial de R$ 104,4 bilhões, valor que ficou abaixo dos R$ 121,3 bilhões que seriam alcançáveis caso o Brasil estivesse alinhado aos padrões tarifários médios observados nos países da OCDE.
Impactos estruturais na economia nacional
A análise do MBC destaca que o custo da energia não é um fator isolado, mas um componente central que pressiona toda a cadeia produtiva. Quando a energia se torna mais cara, os custos de produção sobem, o que reduz a margem de competitividade dos produtos brasileiros tanto no mercado interno quanto nas exportações.
Além disso, o encarecimento da tarifa elétrica atua como um vetor de pressão inflacionária. A dificuldade em manter custos energéticos previsíveis e competitivos em relação aos pares internacionais limita o potencial de crescimento econômico e exige atenção constante dos formuladores de políticas públicas sobre os gargalos do setor.
O desafio frente aos padrões internacionais
Comparar o Brasil com nações da OCDE permite visualizar o tamanho do desafio estrutural. Embora o país tenha registrado um aproveitamento real de 86% do seu potencial de economia energética, a margem para otimização ainda é ampla. A redução dos custos estruturais ligados ao consumo de energia é apontada como um caminho essencial para fortalecer a indústria e o setor de serviços.
O monitoramento contínuo realizado pelo observatório reforça que a estabilidade tarifária é um pilar fundamental para o planejamento de longo prazo das empresas. Sem um ambiente de custos previsíveis, o país corre o risco de ver sua competitividade oscilar conforme as variações sazonais e regulatórias do mercado de energia.
Fonte: agenciainfra.com