O Ministério dos Transportes, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), prepara uma iniciativa estratégica para a recuperação e modernização da malha rodoviária nacional. Recentemente, foi anunciado que uma carteira de projetos focados na revitalização de pontes será levada a leilão na B3, a bolsa de valores brasileira. A medida representa um passo inovador na busca por soluções de longo prazo para a infraestrutura do país, convidando o setor rodoviário a analisar as modelagens propostas.
Embora os projetos não prevejam a cobrança de tarifa direta dos usuários, a expectativa é que os ativos se mostrem atrativos para os operadores atuais do setor, dada a sua natureza de investimento de longo prazo. Essa abordagem visa garantir a manutenção e a segurança de estruturas essenciais para a conectividade e o desenvolvimento econômico das regiões.
Nova Estratégia para Projetos de Pontes
A decisão de inovar com leilões na B3 foi destacada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante a abertura da Bienal das Rodovias 2026 – A Força da Regulação Brasileira, evento organizado pela Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) em Brasília. A iniciativa do DNIT de utilizar o mercado de capitais para financiar a infraestrutura de pontes é vista como um marco, buscando maior eficiência e transparência na gestão desses ativos.
O ministro enfatizou que a modelagem dos contratos será baseada na solução do Programa de Contratação, Restauração e Manutenção (Crema). Este programa, já consolidado em outras frentes, prevê contratos com prazo de dez anos, garantindo um período substancial para a execução das obras e a manutenção contínua das estruturas. A expectativa é que essa longevidade contratual ofereça segurança e previsibilidade aos investidores e operadores.
Modelagem Inovadora e o Programa Crema
Apesar de não serem classificadas como Parcerias Público-Privadas (PPPs) pelo governo, essas novas contratações contarão com contraprestação do orçamento público. Essa estrutura busca equilibrar o interesse do setor privado com a responsabilidade do Estado em prover e manter a infraestrutura essencial. A utilização do modelo Crema, com seu foco em restauração e manutenção, é crucial para garantir que as pontes não apenas sejam recuperadas, mas também mantidas em condições ideais ao longo do tempo.
A abordagem inovadora do DNIT para leiloar projetos na B3 reflete uma busca por mecanismos financeiros mais robustos e diversificados. Ao envolver o mercado de capitais, o governo espera atrair um maior volume de investimentos e expertise técnica, acelerando o processo de recuperação de uma infraestrutura que, em muitos casos, demanda intervenções urgentes.
Amplo Pacote de Recuperação e Futuras PPPs
O Ministério dos Transportes planeja lançar, ainda neste ano, um pacote robusto de leilões de pontes rodoviárias que necessitam de recuperação. Este pacote abrange mais de 500 ativos, que serão estrategicamente divididos por estado e região em oito lotes distintos. Essa segmentação visa otimizar a gestão dos projetos e permitir que empresas com diferentes capacidades e focos regionais possam participar.
Além dos projetos de pontes, a pasta também tem em seu horizonte a primeira PPP federal, que será dedicada à operação e manutenção da BR-319/AM. Este projeto é particularmente relevante por aliar a infraestrutura rodoviária à governança ambiental, um aspecto crucial para a sustentabilidade da região amazônica. A inclusão da BR-319/AM demonstra o compromisso do ministério com soluções que integrem desenvolvimento e responsabilidade ambiental.
Fortalecimento da Infra S.A. e Autonomia Financeira
A agenda de modernização da infraestrutura também passa pelo fortalecimento de instituições-chave, como a Infra S.A., estatal responsável pela estruturação de projetos para o Ministério dos Transportes. O ministro Santoro destacou a trajetória financeira da empresa, revelando um plano ambicioso para que ela se torne não dependente do Tesouro Nacional em um prazo de três anos.
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Fonte: agenciainfra.com